General defende Pinochet
O general Guillermo Garín (foto), porta-voz do ex-ditador Augusto Pinochet, criticou o julgamento deste último porque considera isto um processo político e fez uma defesa inflamada do regime militar (1973/90), durante uma entrevista à AFP, no fim de semana.
Este fiel colaborador de Pinochet, a quem sempre se refere como meu general, garantiu que não tem motivos para se arrepender, porque lutamos pelos direitos humanos da maioria dos chilenos, que estava ameaçada quando houve o golpe de Estado contra o presidente Salvador Allende.
Garín disse que passou a conhecer muito bem Pinochet depois de trabalhar pelo menos 10 anos com ele que o visita com frequência e que a saúde frágil do ex-ditador não lhe permite defender-se.
O general recebeu a AFP em seu apartamento, no bairro chique de Las Condes. Ele era capitão quando os militares tomaram o poder e general quando abandonou, em 1997, o cargo de vice-comandante-em-chefe do exército, durante a transição democrática. Não existe a menor dúvida de que o processo contra Pinochet é de índole política, levado aos tribunais a partir de um crime inexistente, como o famoso sequestro qualificado configurado pelo ministro do foro para poder burlar a Lei de Anistia, que cobriu todos os fatos acontecidos entre 1973 e 1978, disse Garín.
O governo militar foi a última solução para o país, que estava à beira de uma guerra civil que teria um custo incomensurável, acrescentou. Sobre a possibilidade de as Forças Armadas admitirem ter cometido erros, o general disse não falar pela atual cúpula militar e respondeu que achamos que os pedidos públicos de perdão não têm sentido.
Pinochet, que amanhã será interrogado pela primeira vez por um juiz, é acusado de ser o autor intelectual de 75 crimes 57 homicídios e 18 sequestros cometidos pela Caravana da Morte em 1973.





