France PresseConversa demoradaGenerais aliados chegam à base de Kumanovo para negociar com delegação iugoslava: enquanto não sai o acordo os bombardeios continuamOs militares iugoslavos estão mais resistentes do que o presidente do país, Slobodan Milosevic, e o Parlamento sérvio em aceitar o plano de paz do Grupo dos Oito, que prevê a retirada total da província de Kosovo e a aceitação de uma força internacional no território da Iugoslávia.
Milosevic e os parlamentares haviam concordado com a proposta - apresentada pelo enviado especial russo, Viktor Chernomyrdin, e pelo representante europeu e presidente finlandês, Martti Ahtisaari - na quinta-feira passada, no mais concreto passo em direção a um cessar-fogo desde o início dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra o país, em 24 de março.
Mas, de acordo com diplomatas que testemunhavam, na base militar de Kumanovo, na Macedônia, as negociações dos termos do plano de paz entre representantes da aliança atlântica e do Exército iugoslavo, os generais de Milosevic não pareciam muito dispostos a aceitar as condições da Otan para frear os ataques. ‘‘Já não estamos tão esperançosos de que eles (a delegação iugoslava) firmem um acordo até o fim da noite (de ontem)’’, afirmou uma fonte ocidental. Indagada sobre qual era o principal ponto de atrito entre as duas partes, a testemunha declarou: ‘‘Apesar de o Parlamento ter ratificado os princípios do plano de paz, a delegação iugoslava chegou aqui reiterando que não quer soldados da Otan em seu território.’’
O acordo de princípios ratificado pelos sérvios aceitava vagamente a ‘‘participação essencial da aliança’’ na força de paz. Mas o secretário de Defesa dos EUA, William Cohen, foi veemente ontem ao declarar, em Washington, que nenhum acordo será aceitável se a força estrangeira em Kosovo não estiver sob as ordens da Otan. ‘‘Não admitimos nem mesmo discussão sobre esse ponto’’, afirmou. Inicialmente, 50 mil soldados de países membros da Otan integrariam a Força de Paz para Kosovo (Kfor).
Soldados russos deveriam participar dessa força, mas a preponderância da Otan tem causado mal-estar tanto no Kremlin quanto na Duma, a Câmara Baixa do Parlamento da Rússia. Além disso, a atuação de Chernomyrdin não foi totalmente aprovada por membros do governo e por importantantes líderes parlamentares russos.
Cohen indicou que ainda faltam muitos detalhes para resolver nas discussões que se realizam em Kumanovo, e ressaltou que, enquanto isso não ocorre, os bombardeios continuarão. ‘‘Nossos aviões militares fizeram hoje (ontem) mais de 400 saídas e não devem parar até que tenhamos mais do que promessas.’’ O secretário americano acrescentou ainda que se os iugoslavos ‘‘perderem essa chance de acordo’’, os ataques aéreos serão intensificados nos próximos dias.
O porta-voz da Otan, Jamie Shea, reiterou que os ataques só serão interrompidos depois de o último soldado iugoslavo ter deixado Kosovo.
Além dos problemas que cercam uma eventual retirada iugoslava outras questões dificultam um cessar-fogo, como a resistência da guerrilha de origem albanesa Exército de Libertação de Kosovo (ELK), que se recusa a depor armas. O líder político do grupo rebelde, Hashim Thaqi, expressou ontem, em Oslo, o ceticismo da guerrilha em relação à esperança de paz, e acusou as forças sérvias de ter usado gás venenoso contra eles e civis em Kosovo.

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