Gêmeas siamesas morrem na operação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de julho de 2003
France Presse 
Cingapura As gêmeas siamesas Laleh e Ladan Bijani, de 29 anos, unidas pela cabeça, morreram em função de uma hemorragia, ontem, durante a operação que se realizava para tentar separa-las. A primeira uma hora e meia antes da outra. As irmãs insistiram na realização desta cirurgia para sua separação, uma operação inédita em adultos.
O Raffles Hospital, onde as gêmeas foram operadas, informou que elas perderam muito sangue depois que seus cérebros foram separados, no final de uma operação de mais de 48 horas.
''É com grande pesar que o Raffles Hospital anuncia que as gêmeas Bijani, Ladan e Laleh, morreram durante a operação para separá-las'', afirmou em um comunicado.
''Apesar de todos os esforços da equipe médica, Ladan morreu às 14H30 (3h30 de Brasília) e Laleh pouco depois das 16H00 (5h30)'', acrescentou.
Uma equipe de 24 médicos, liderada pelo neurocirurgião Keith Goh, e 100 profissionais de apoio, começou a histórica cirurgia no domingo. Goh, que conseguiu separar bebês siameses nepaleses unidos pela cabeça, depois de 97 horas de cirurgia, em 2001, destacou várias vezes antes da operação das irmãs Bijani que os riscos eram grandes e que uma ou até as duas siamesas poderiam morrer ou ficar para sempre em estado vegetativo.
''Apresentamos os riscos de maneira muito direta. Tentamos de verdade fazê-las mudar de idéia e desistir da cirurgia, mas não conseguimos'', afirmou o médico no mês passado.
Quando a cirurgia estava terminando, o hospital informou que as gêmeas tinham perdido muito sangue, estavam em estado crítico e os médicos não conseguiam estabilizá-las.
As irmãs Bijani tinha corpos separados e um cérebro cada uma, mas compartilhavam a parte superior da caixa craniana e uma artéria de irrigação do cérebro.
As complicações que apareceram durante a cirurgia fizeram com que esta se prolongasse além das 48 horas previstas inicialmente. A separação dos dois cérebros, diferentes, mas colados um ao outro, foi uma das fases mais difíceis da operação. Os especialistas pensaram que levariam entre oito e dez horas para realizá-la, mas foi necessário o dobro do tempo.
''Devido ao fato de estarem unidos durante 29 anos, os cérebros estavam colados. A separação leva muito tempo porque os médicos precisam cortar os tecidos com muito cuidado'', declarou durante a operação o porta-voz do Hospital Raffles, Prem Kumar Nair.
Ele acrescentou que as siamesas sofriam de problemas de circulação, que ficou instável durante a operação.
Na segunda-feira, os médicos haviam cortado uma placa óssea para separar os crânios, que se mostrou mais espessa e dura que esperavam, e fizeram um enxerto para criar uma derivação no cérebro de Ladan para realizar a drenagem de sangue.
Os cérebros das duas irmãs eram irrigados por uma única artéria e os cirurgiões tiveram que retirar uma veia da perna direita de Ladan para enxertá-la no cérebro.


