A visita de um dia do secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, ao Paraguai no final da semana passada, além de coincidir com um tornado que matou cinco pessoas em Assunção e arredores, reavivou o debate em torno da realização das eleições presidenciais na dada prevista: 10 de maio.
Longe de falar claramente sobre o tema em discussão, o discurso excessivamente diplomático do ex-presidente colombiano em Assunção foi interpretado por cada uma das partes como apoio a suas respectivas posturas. Estas estão divididas entre realizar as eleições em 10 de maio, que é a tese de oposicionista Alianza Democrática, e prorrogar o pleito por dois meses, que é a postura do governo e do situacionista Partido Colorado.
A última vez que o secretário geral da OEA visitou o Paraguai foi em abril de 1996, quando o então comandante do Exército, general Lino Oviedo, intentou um golpe de estado contra o presidente Wasmosy. Oviedo ganhou as primárias do Partido Colorado logo depois de ser afastado do Exército e deixou uma incômoda situação, tanto ao gobierno de Wasmosy como a seu partido, cujo presidente, Luís María Arga¤a, era o favorito para ganhar as prévias.
A candidatura de Oviedo está hoje em discussão na Corte Suprema de Justiça, já que um tribunal especial das Forças Armadas o condenou a 10 anos prisão pelos acontecimentos de abril de 1996. O partido Colorado corre o risco de ficar sem candidato presidencial ou, na melhor das hipóteses, que a Justiça defina quem será o candidato no último momento, quando restar pouco tempo para uma boa campanha eleitoral.
Com a afirmação de que a OEA não vai a nenhum país para interferir na Constituição ou legislação e que é importante respeitar a institucionalidade dos países do sistema, Gaviria deixou contente a oposição, cujo líder, Domingo Laíno, declarou que o diplomata concordou plenamente com o objetivo de não prorrogar os prazos eleitorais.
No entanto, porta-vozes oficiais não ocultaram sua satisfação, pois o secretário geral de OEA declarou à imprensa que depende do que a Corte Suprema decidir para saber se haverá ou não as eleições em 10 de maio.
Além disso, Gaviria conseguiu o compromisso do presidente da Justiça Eleitoral, Carlos Mojoli, de que é possível ainda aperfeiçoar a lista de votantes no país, tal como o exige o governo e o partido Colorado. Os governistas afirmam que nas listas há muitos eleitores sem endereço, o que propiciaria fraudes. A Justiça Eleitoral, porém, justifica tratar-se de eleitores residentes em comunidades rurais e na periferia, que moram em ruas sem nome, por exemplo.
De acordo com os prazos judiciais, a Corte Suprema deverá se pronunciar dias antes da data marcada para as eleições sobre a candidatura de Oviedo e talvez um pouco antes sobre outras questões eleitorais, traçadas com base nas internas coloradas.

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