São Paulo - Os gastos militares em todo o mundo cresceram em 2003, afirmou ontem o Sipri (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), citando a invasão do Iraque pelos EUA como a principal causa. Segundo o ''think tank'' baseado em Estocolmo, os gastos militares cresceram 11% entre 2002 e 2003, atingindo US$ 956 bilhões. Em relação a 2001, o aumento foi de 18%.
O relatório mostra que os gastos militares mundiais, que registraram uma queda significativa na década 1989-1998, após o fim da Guerra Fria, aumentaram em 2003 pelo quinto ano consecutivo.
Os EUA responderam por quase metade (47%) dos US$ 956 bilhões gastos com armas no ano passado, segundo o Sipri. ''É muito perto do pico da Guerra Fria em 1987'', declarou a pesquisadora Elisabeth Skoens, co-autora do relatório.
Os EUA são seguidos por Japão (5%), Reino Unido, França e China, cada um com 4%. Os outros 153 países somam 36% dos gastos.
Skoens afirmou que o crescimento dos gastos americanos era resultado das operações lançadas no Afeganistão e no Iraque, assim como a ''guerra contra o terrorismo''.
O Sipri, cujos dados sobre a área de segurança são muito respeitados, afirmou que, no ano passado, a guerra liderada pelos EUA contra o Iraque não ajudou a fortalecer a democracia no mundo árabe. Pelo contrário, abriu ''novas frentes e novas fontes de incentivo para o terrorismo''.
Apesar de não ter descartado a possibilidade de o governo americano ainda criar um Iraque democrático, o instituto advertiu que os atuais níveis de violência poderiam transformar o país árabe em um ''Estado fracassado'' ou mesmo atirá-lo na ''guerra civil''.
Os gastos das Forças Armadas dos EUA foram elevados pela política do presidente George W. Bush de atacar preventivamente para evitar ações como a de 11 de setembro de 2001, atribuída à rede terrorista Al-Qaeda. De 1987 a 1998, a tendência era de queda nesses gastos. Entre 1998 e 2001, registrou-se uma ligeira elevação deles.
Três quartos dos gastos mundiais com armamentos são feitos por países ricos nos quais vivem 16% da população do planeta. O Orçamento das Forças Armadas deles é maior que a dívida externa de todos os países pobres somada e dez vezes maior que o dinheiro gasto com ações de ajuda humanitária.

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