Gasto militar global tem em 2019 maior aumento da década
Salto ocorreu por conta do maior investimento promovido pelos EUA e China
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Salto ocorreu por conta do maior investimento promovido pelos EUA e China
Igor Gielow – Folhapress 
São Paulo - O mundo teve o maior salto no seu gasto militar em uma década em 2019, devido ao aumento da despesa com defesa dos Estados Unidos de Donald Trump e da China de Xi Jinping. O dado foi aferido pelo IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, na sigla em inglês), baseado em Londres e referência no assunto no mundo, em sua publicação anual "Balanço Militar".

No ano passado, o crescimento real de gastos com defesa subiu 4% em relação a 2018, em comparação ajustada ao dólar constante de 2015. É o dobro do salto registrado de 2017 para 2018, de 1,8%.
Ao todo, o mundo gastou US$ 1,73 trilhão com o setor militar em 2019. Os EUA são a potência incontestável, com US$ 684,6 bilhões aplicados em defesa, ou 39% do valor global.
É uma tendência vista desde que Trump assumiu, em 2017, apesar de seu discurso de que retiraria os EUA do que chama de "guerras inúteis" pelo mundo. Em 2019, o aumento do gasto foi de 6,6% sobre o ano anterior.
O "Balanço Militar" detalha os novos investimentos americanos em programas de armas e segurança cibernética, além de mostrar o incomparável inventário bélico do país, na área convencional estrelado pelos seus 11 grupos de porta-aviões.
A gastança americana espelha a competição global com a potência emergente do século 21, a China. O país asiático elevou seus gastos nos mesmos 6,6% em relação a 2018, mas nominalmente os EUA ainda têm um orçamento quase quatro vezes maior que o dos chineses, que totalizaram US$ 181,1 bilhões em 2019.
Os dois países estão muito à frente da competição, mas isso em termos brutos. A Rússia de Vladimir Putin é a quarta no ranking de gastos, mantidos estáveis em 2019, com US$ 61,6 bilhões em defesa.
Mas o dado escamoteia o óbvio: os russos têm um arsenal de mísseis com ogivas nucleares equiparável ao dos EUA, o que lhes dá uma capacidade dissuasória única por herança da Guerra Fria, quando a União Soviética disputava a primazia militar e política do mundo com Washington.
Ambos os países têm cerca de 1.700 ogivas prontas para uso, e o IISS alerta para os riscos que a dissolução do sistema internacional de controle de armas traz.
A China tem cerca de 300 ogivas, empatando com a França, e analistas se perguntam se Xi irá aumentar o seu inventário.
Tanto Moscou quanto Pequim têm seus avanços nas áreas de mísseis hipersônicos e antinavio dissecados. Em ambos os casos, os russos estão na frente, e os dois rivais dos EUA suplantam Washington, estimulando novos gastos.
Assim, Trump já autorizou um valor de US$ 737 bilhões para 2020, voltando aos níveis nominais corrigidos da chamada guerra ao terror - quando os EUA levaram seu orçamento militar, que era de US$ 294 bilhões em 2000, para a casa dos US$ 700 bilhões com os conflitos no Afeganistão e no Iraque.


