Associated Press
e France Press
De Istambul e Izmit
Mais de seis dias depois do terremoto que abalou a região noroeste da Turquia e quando o número oficial de mortos chegava a 12.134, uma equipe de salvamento formada por turcos, búlgaros e israelenses resgatou com vida, nesta segunda-feira, um menino de quatro anos dos escombros de um prédio de apartamentos de Cinarcik, 50 quilômetros ao sul de Istambul.
‘‘Eu estava brincando com meu caminhão e fiquei preso aqui’’, disse Ismail Cimen ao ser retirado de escura cavidade de 50 centímetros quadrados – com fortes sintomas de desidratação – onde aguardou 146 horas pelo resgate.
‘‘Chamei meu pai e minha mãe’’, lembrou o garoto que tinha as unhas cheias de terra – evidência de que tentou sair dali pelas próprias mãos.
‘‘Foi um milagre tê-lo encontrado com vida’’, exultou Sait Cimen, tio do garoto. Cimen contou que o pai e três irmãs do menino entre 8 e 13 anos morreram soterrados. A mãe dele, Serife Cimen, salvou-se, mas está hospitalizada, ressaltou Sait. ‘‘Ela não pára de perguntar sobre os filhos e o marido.’’
Segundo Sait, o pai do menino, Fatih Cimen, trabalhava como segurança da empresa construtora do urbanista Veli Gocer, que está foragido. O empresário é responsabilizado pela morte de milhares de pessoas. Ele admitiu ter usado material de segunda categoria nas obras.
A mesma equipe de salvamento resgatara ali domingo uma mulher que passou 138 horas sob toneladas de concreto. Contudo, a esperança de encontrar novos sobreviventes são remotas agora.
A demolição dos edifícios danificados pelo terremoto e a limpeza dos escombros começaram ontem. Os grandes trabalhos de remoção de escombros começaram na cidade de Adapazari, uma das mais afetadas, e no bairro de Avcilar em Istambul, reduzindo as esperanças das famílias de encontrar vivos seus desaparecidos. Em Adapazari, as fortes chuvas acentuaram ainda mais o espetáculo de desolação e confusão entre os habitantes.
O balanço oficial do tremor alcançou os 12.148 mortos e 34.448 feridos, segundo números estabelecidos desde o sábado à noite. A polêmica sobre a incapacidade do governo turco em relação ao fenômeno ganhou repercussões mais amplas depois das exigências de renúncia contra o ministro da Saúde, Osman Durmus, autor de declarações controvertidas sobre os grupos estrangeiros de socorro e as necessidades de ajuda na Turquia.
‘‘Chega! Cala-te e cai fora!’’, disse o jornal liberal ‘‘Radikal’’, referindo-se a Durmus, chamando-o de ‘‘ignorante racista’’.
Segundo os meios de comunicação, o ministro, membro do partido de extrema-direita da Ação Nacionalista, menosprezou a necessidade de médicos, medicamentos e hospitais de campanha para a região afetada e afirmou que os turcos se sentiriam mais à vontade com médicos que compartilhem sua cultura.
Durmus recomendou ao primeiro-ministro Bulent Ecevit rejeitar a ajuda norte-americana de um navio-hospital, assegurando não ser necessária.
Também ridicularizou a solicitação de um equipamento italiano de sanitários portáteis, assinalando que há muitos sanitários nas mesquitas locais.Ismail Cimen é retirado dos escombros após 146 horas. ‘‘Eu estava brincando com meu caminhão e fiquei preso aqui’’, disse ele
France PresseDesolaçãoO exército montou um acampamento de barracas em Adapazari para os desabrigados. A chuva forte acentuou ontem o drama na região

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