Gabinete de segurança de Israel aprova cessar-fogo com Hamas
O colegiado que tomou a decisão é formado por 11 do total de 34 ministros que compõem o governo
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2025
O colegiado que tomou a decisão é formado por 11 do total de 34 ministros que compõem o governo
Folhapress 

São Paulo - O gabinete de segurança de Israel aprovou, nesta sexta-feira (17), um acordo de cessar-fogo com o grupo terrorista Hamas, disse o escritório do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
O colegiado é formado por 11 do total de 34 ministros que compõem o governo. Agora, todas as pastas precisam aprovar o acordo - algo recomendado pelo órgão "após analisar todos os aspectos políticos, de segurança e humanitários e entender que o acordo proposto apoia a realização dos objetivos da guerra", segundo disse em comunicado.
A reunião do gabinete de segurança estava prevista para acontecer na véspera, mas foi adiada em cima da hora por Netanyahu, que acusou o Hamas de querer mudar os termos do documento no último minuto.
O grupo terrorista havia negado o relato. Nesta sexta, disse que os obstáculos que haviam surgido em relação ao tratado foram resolvidos.
A expectativa é de que os ministros israelenses também apoiem o cessar-fogo. Desse modo, o cronograma inicialmente proposto pelo acordo, que prevê que já neste domingo (19) comece a troca de reféns por cativos palestinos, seria mantido.
Esta primeira fase do cessar-fogo a princípio vai durar 16 dias. Nele, 33 mulheres (civis e militares), crianças, doentes e homens com mais de 50 anos sequestrados pelo Hamas no mega-ataque que deu início à guerra seriam trocados por todas as mulheres e crianças palestinas menores de 19 anos mantidas em prisões israelenses.
Informações obtidas pela agência AFP dão conta de que as três primeiras pessoas a serem libertadas neste domingo seriam mulheres de menos de 30 anos. Em contrapartida, "um certo número de prisioneiros importantes" palestinos seria libertada.
Na etapa seguinte do acordo, será negociada a libertação dos soldados homens israelenses que também estão em cativeiro, 29 segundo as contas do Exército do país.
Por fim, os corpos dos mortos durante o ataque e depois que permanecem em Gaza, 36 de acordo com os cálculos mais recentes, serão devolvidos. No total, o Hamas matou 1.200 pessoas e sequestrou outras 250 no atentado - cerca de 100 já tinham sido libertadas na primeira e única trégua entre as partes, ocorrida cerca de um mês após o início da guerra.
Já Gaza perdeu quase 47 mil pessoas ao longo dos enfrentamentos segundo as contas das autoridades locais, ligadas ao Hamas, e teve praticamente a totalidade de sua população deslocada pela guerra.
Posteriormente será estruturada a administração de Gaza, que era dominada pelo Hamas desde 2007, um processo complexo e ainda incerto, que dependerá muito da vontade do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.
A crise que ameaçava o início do cessar-fogo começou horas depois de a trégua ser anunciada, na quarta-feira (15). Em uma publicação no X, Netanyahu acusou os palestinos de apresentarem de última hora mais uma condição para aprovar o texto: a retirada imediata de forças de Israel do chamado corredor Filadélfia, a fronteira de 17 km entre Gaza e o Egito sob a qual era feito tráfico de armas para os terroristas.
O acordo negociado previa uma retirada gradual das tropas, em 50 dias. O Catar, que media as negociações do cessar-fogo ao lado dos Estados Unidos e do Egito, chamou Israel e o Hamas de volta à mesa então, e ao fim das conversas, o Estado judeu divulgou uma nota dizendo que, "devido à forte insistência do premiê", o grupo terrorista tinha abandonado a sua demanda.
Houve quem especulasse que Netanyahu estava jogando para a plateia - mais precisamente, para os ministros da ultradireita religiosa que integram a coalizão que o sustenta. Eles defendem que Israel deveria seguir à risca a sua promessa de só encerrar a guerra na Faixa de Gaza após exterminar o Hamas, objetivo considerado por muitos utópico.


