G8 em Paris permitiu esboçar reconciliação transatlântica
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 2003
André Birukoff<br> France Presse 
Paris - A reunião em Paris dos ministros das Relações Exteriores do G8, primeira visita do secretário de Estado americano Colin Powell à França depois da guerra no Iraque, favoreceu o esboço de uma reconciliação transatlântica, apesar das sérias divergências que ainda existem.
Anfitriã da reunião, a França prestou grande atenção para garantir o sucesso do encontro, pois deve receber em junho a Cúpula dos Países mais Industrializados do Mundo, conferência da qual deve participar o presidente americano George W. Bush.
Foi ''um momento muito importante por ser uma oportunidade para fazer intercâmbios muito livres e voltar a nos reunir depois de vários meses bastante difíceis para todos nós, apesar do diálogo nunca ter sido interrompido'', declarou o ministro das Relações Exteriores francês, Dominique de Villepin, em coletiva de imprensa no final do encontro.
Powell não hesitou em deixar as coisas claras desde que chegou a Paris. Esteve longe de negar as desavenças entre seu país e a França, pelo contrário, admitiu-as afirmando ao mesmo tempo que estas levariam a reavaliar a política de Washington em relação ao seu velho aliado francês.
Em uma coletiva de imprensa em abril, Powell havia dito que a França teria que se arcar com as ''consequências'' de sua oposição à guerra contra Bagdá. A ''franqueza'' caracterizou, segundo uma fonte diplomática, a reunião a portas fechadas Villepin-Powell, a primeira depois da guerra no Iraque.
No âmbito diplomático, ''franqueza'' pode ser interpretada como muitos pontos do acordo ainda não terminados. Cabe destacar que entre as autoridades americanas de maior importância, Powell está sendo considerado como alguém que tende para uma reconciliação com a ''velha Europa''.
Diante de certa frieza de Powell, Villepin quis antes de tudo, sem negá-las, tentar fazer com que se esqueçam as desavenças e se concentrem no futuro.
Segundo Villepin no que diz respeito ao Iraque, o G8 compartilha da idêntica ''convicção'' de que é necessário construir a paz neste país. O conflito no Oriente Médio também colocou em evidência pontos de vista longes de serem convergentes.


