Heiligendamm, Alemanha - Depois de um começo difícil, a cúpula do G8 - sete países mais industrializados mais a Rússia - mostrou avanços ontem em dois dos temas mais críticos do encontro: a animosidade entre Estados Unidos e Rússia e os acordos sobre medidas para conter o aquecimento global.
Na primeira frente, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou uma contraproposta aos EUA para substituir o plano americano de instalar um sistema de defesa antimísseis no Leste Europeu. Putin propôs a Bush que os dois países utilizem conjuntamente o radar de Gabalá (no Azerbaijão), que permite detectar a trajetória de eventuais mísseis disparados a partir do Irã ou do Iraque.
As divergências entre a Rússia e os EUA a respeito do escudo antimísseis americano, que enfrenta forte oposição do Kremlin, são o ponto crucial da atual deterioração das relações entre os dois países. A Rússia chegou a ameaçar apontar seus mísseis para alvos na Europa caso os EUA levem o plano adiante.
''Podemos utilizar o radar em regime automático e todo o sistema protegeria não apenas uma parte do continente, mas toda a Europa, sem exceções'', afirmou Putin à imprensa russa, segundo a agência Interfax. ''Isso excluiria a ameaça de que restos de foguetes caiam sobre o território dos países europeus'', completou.
O presidente russo afirmou que, dessa forma, em vez de apontar seus mísseis contra a Europa, a Rússia poderia trabalhar em conjunto com os EUA na defesa estratégica internacional.
Os EUA afirmam que sua intenção com o escudo antimísseis é se proteger contra eventuais ameaças do Irã ou da Coréia do Norte. Bush disse após a reunião com Putin que eles concordaram em manter o diálogo estratégico sobre formas de cooperação.
Poucas horas antes da reunião entre o presidente russo e Bush, a Casa Branca voltou a apresentar garantias ao Kremlin de que seu projeto de um sistema de defesa antimísseis não ameaça a Rússia. Generais russos foram convidados a irem aos EUA para se inteirarem dos planos do sistema.

Clima - Também ontem, os países do G8 reconheceram a necessidade de reduzir substancialmente suas emissões dos gases que causam o efeito estufa e examinaram seriamente o objetivo de cortá-los pela metade até 2050. Estes objetivos constam de um acordo firmado ontem na cúpula em Heiligendamm, na Alemanha, anunciou a chanceler alemã, Angela Merkel.

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