São Paulo - O G7 informou ontem que não reconhecerá o resultado do referendo sobre a anexação da Crimeia à Rússia. Para o grupo, Moscou pressiona para que a região autônoma deixe a Ucrânia, que desde fevereiro tem um governo apoiado pelo Ocidente.
Em comunicado divulgado pela Casa Branca, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá pedem que a Rússia "pare todos os esforços para a mudança de status da Crimeia", sob a ameaça de sanções.
Para as potências, o referendo, que será realizado no próximo domingo, "não teria força moral" devido à presença de soldados russos na região autônoma e não tem efeito legal, já que viola acordos internacionais.
O grupo ameaçou tomar ações "individuais e coletivas" caso a Crimeia seja anexada ao território russo. Os líderes ainda pediram para que sejam retiradas as tropas da região e que Moscou comece a negociar com o novo governo ucraniano.
O referendo na Crimeia recebeu o apoio do Parlamento russo, afirmando que reconheceria a anexação à Federação Russa. A região ucraniana tem 60% de habitantes de origem russa e abriga a base militar de Sebastopol, uma das principais de Moscou no Mar Negro.
A tensão na área começou há três semanas, com a queda do presidente ucraniano Viktor Yanukovich, aliado da Rússia. Na semana seguinte, o governo da Crimeia não reconheceu o novo governo e milícias ocuparam prédios estatais.
Em seguida, foi a vez das tropas russas ocuparem as fronteiras, os aeroportos e outras áreas estratégicas da região autônoma. Na semana passada, foi aprovado o referendo para anexar o território à Rússia, apesar da oposição da minoria de ucranianos e muçulmanos tártaros.

Espaço aéreo
As autoridades locais anunciaram ontem o fechamento do espaço aéreo para aviões ucranianos até 18 de março, dois dias após o referendo. Foram mantidos apenas os voos vindos da Rússia. Segundo o chefe de governo da Crimeia, Sergei Axionov, o fechamento é "uma medida de segurança contra provocações ucranianas".
Na terça, o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, disse que a consulta na região autônoma é ilegal e chamou o governo local de "quadrilha apoiada pela Rússia".

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