Protestos em Hamburgo reuniram cerca de 2 mil; houve enfrentamento com a polícia
Protestos em Hamburgo reuniram cerca de 2 mil; houve enfrentamento com a polícia | Foto: Christof Stache/AFP


Hamburgo, Alemanha - Não foi apenas nas ruas que o receio de animosidade tomou os preparativos para a cúpula do G20 na Alemanha. Quando os líderes das maiores economias do mundo se reunirem nesta sexta (7) em Hamburgo, também as negociações ficarão à sombra de líderes polarizadores como o americano Donald Trump, o russo Vladimir Putin e o turco Recep Tayyip Erdogan.

O G20 trata sobretudo da economia, mas o contexto deste ano impõe questões políticas cruciais. Além do protecionismo, os representantes dos 19 países e da União Europeia debaterão a mudança climática, as migrações em massa e o terrorismo.

O maior antagonista da cúpula é Trump, contra quem a maioria dos líderes se alinha. Ele chega a Hamburgo com uma visão de comércio oposta à defendida pelo G20: reivindica uma ordem bilateral em vez do multilateralismo que está na gênese do grupo. Mas é, segundo analistas, exagerada a ideia de o encontro se tornar 19 contra 1. Trump deve ter apoio de Rússia, Turquia e Arábia Saudita em algumas das questões.

"Seria um erro imenso criar uma 'coalizão da boa vontade' contra Trump", disse à reportagem Rolf Langhammer, integrante do T20, grupo de think tanks que estuda o G20. Para não se indispor em demasia com os EUA, líderes europeus como a alemã Angela Merkel e o francês Emmanuel Macron devem buscar nestes dois dias de cúpula um caminho no meio.

A ministra das Finanças da Indonésia, Sri Mulyani Indrawati, disse à agência de notícias Reuters que Merkel precisa ter cautela. "Há um equilíbrio delicado, pois o embate pode criar mais problemas de credibilidade para o G20." Anfitriã da cúpula, Merkel tem se fortalecido com o isolamento americano e vai usar o evento para se projetar - os alemães votam em setembro.
Macron também será observado com atenção. Eleito presidente em maio, o centrista tem se destacado na defesa da integração europeia.

Trump e Putin são alvo preferencial dos manifestantes. Nesta quinta (6), 12 mil protestaram sob o slogan "Bem-vindos ao Inferno". Houve enfrentamento com a polícia, que usou jatos d'água contra a multidão. As autoridades alemãs preveem mais protestos nesta sexta e neste sábado (8), com até 100 mil participantes. Há 20 mil policiais para a segurança do evento.

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