Melbourne, Austrália - Os ministros de Finanças das 20 grandes economias mundiais (G20) se reuniram ontem para estudar os meios de manter ''a prosperidade mundial'' diante da crescente necessidade de energia e da emergência de potências como China e Índia.
Segundo um documento preparatório submetido a debates, a necessidade de energia aumentará em 25% antes de 2015 e 50% antes de 2030.
Mais da metade deste aumento será em gás e petróleo. O tema será intensamente debatido, já que o G20 conta com os maiores consumidores de petróleo, como os Estados Unidos, e alguns dos maiores produtores, como Arábia Saudita e Rússia.
O G20, chamado de Finanças para distingui-lo do clube de mesmo nome que reúne os países emergentes sobre questões comerciais, agrupa os Estados ricos do G7 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão, a União Européia, Austrália, China, Índia, Brasil, Argentina, México, Rússia, Indonésia, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul e Turquia.
O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial também estão representados.
A reunião também deverá tratar também do aquecimento climático. ''A relação entre as emissões de CO2 e as mudanças de temperatura terrestre está agora claramente estabelecida'', declarou o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato.
Mas ''as consequências são mais incertas'', acrescentou o dirigente do FMI, que pediu uma análise profunda do informe publicado no fim de outubro por Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial.
O especialista britânico prevê que o aquecimento climático poderá, segundo cada país, cortar de 5 a 20 pontos de porcentagem no Produto Interno Bruto (PIB). ''Se estas cifras se confirmarem em outras análises, será de fato alarmante'', reconheceu Rato.
Enquanto os ministro de Finanças e chefes de bancos centrais se reuniam no luxuoso hotel Gran Hyatt, manifestantes antiglobalização e a polícia protagonizavam violentos enfrentamentos nas ruas de Melbourne. Alguns manifestantes tentaram atravessar o cordão de segurança estabelecido pela polícia, que respondeu com força.
Vários membros da polícia ficaram feridos, e um jornalista da televisão australiana foi agredido e sua câmera atirada ao solo.
Houve apenas duas detenções. No total, cerca de 1.800 manifestantes antiglobalização foram ontem às ruas de Melbourne durante a reunião do G20.
Os organizadores da marcha de protesto, sob o lema ''Stop G20'', haviam anunciado 10.000 manifestantes.
O centro de Melbourne, a segunda cidade da Austrália, se encontrava praticamente paralizado por causa das barreiras policiais.
Na noite de sexta-feira, os manifestantes 'antiglobalização' receberam o apoio do cantor irlandês Bono, do grupo U2, paladino das causas justas, durante um concerto gratuito que reuniu 14.000 pessoas sob o lema ''Converter a Pobreza em Coisa do Passado''.
''Os políticos têm de fazer o que vocês disserem'', afirmou o músico à multidão.

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