G-Rio debate democracia e globalização
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sexta-feira, 16 de junho de 2000
France Presse De Cartagena 
Os 16 mandatários latino-americanos que participam desde anteontem na 14ª Reunião de Cúpula do Grupo do Rio (G-Rio) debateram ontem o projeto da Declaração de Cartagena de Índias, que inclui a posição deste foro ante a nova ordem econômica internacional, os direitos fundamentais e o Encontro do Milênio das Nações Unidas.
Fontes dos grupos técnicos das delegações presentes à reunião facilitaram à AFP o texto de 38 parágrafos, discutido antes pelos chanceleres e que dá a visão do foro sobre temas como a globalização, o multilateralismo, o compromisso social e o panorama dos sistemas financeiros internacionais.
De acordo com o rascunho da ata final, os 19 países que formam o conglomerado regional se comprometerão com a democracia como sistema de governo e fundamento da legitimidade dos sistemas políticos e como mecanismo para inserir nossos povos em uma globalização humanizada e justa.
Em seu discurso na cerimônia de instalação do encontro presidencial, anteontem, o mandatário mexicano, Ernesto Zedillo, pediu a seus colegas que defendam a democracia e evitem uma ressaca antidemocrática que ameaçaria a credibilidade e o prestígio de toda a América Latina.
Se não quisermos que instâncias alheias à América Latina pretendam tutelar nossos avanços políticos, nós mesmos devemos cuidar fraternalmente do fortalecimento de nossas democracias, advertiu Zedillo.
Sobre o multilateralismo, a declaração apresenta uma reorientação desse conceito para regulamentar a globalização e seus efeitos e alcançar uma efetiva democratização do sistema internacional.
Sobre a nova arquitetura do sistema financeiro internacional, a ata propõe a adoção de mecanismos de regulamentação que neutralizem o avanço desequilibrado do desenvolvimento econômico, que criou enormes disparidades sociais em vários países do subcontinente.
Também incide na necessidade de reforçar as instituições financeiras regionais e sub-regionais e na de adotar mecanismos mais efetivos para evitar e controlar as crises financeiras de caráter global.
No último ponto da agenda, relacionado aos direitos fundamentais do indivíduo, os presidentes analisam a construção de uma agenda comum que respeite os princípios fundamentais consagrados na Carta das Nações Unidas.
O presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, afirmou ontem na reunião de cúpula que a América Latina não pode aceitar ou conviver com retrocessos e rupturas democráticas.
Deve prevalecer a idéia de que a liberdade de cada um depende da liberdade de todos e que a democracia no país vizinho é importante para a democracia em meu próprio país, afirmou o presidente.
Na América Latina de hoje, cada país tem a consciência de que pouco ou nada haveria a ganhar e muito haveria de perder com o isolamento que ocorreria inevitavelmente de uma atitude de impermeabilidade aos sinais recebidos do exterior, afirmou Fernando Henrique, que participou de almoço com os chefes de Estado e de Governo.
Com o discurso, o presidente brasileiro retomou a questão da defesa da democracia, manifestada quinta-feira pelo presidente do México, Ernesto Zedillo, durante o fórum regional em Cartagena.


