G-8 discute democratização da Internet
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de julho de 2000
Francoise Kadri France Presse De Nago, Japão 
O G-8 abordou pela primeira vez ontem a revolução da Internet e adotou a Carta de Okinawa para tentar fazer com que todos os países em vias de desenvolvimento tenham vez na chamada nova economia.
A Carta de Okinawa sobre a Sociedade Mundial da Informação, apresentada como um dos pontos fortes da reunião de cúpula Okinawa (Sul do Japão), faz uma reflexão sobre o impacto revolucionário das novas tecnologias da informação.
Os chefes de Estado e de Governo acham que ninguém deve ficar excluído desta revolução, tanto nos países pobres, como dentro das regiões mais ricas. Decidiram, portanto, criar um Grupo de Especialistas em Acesso às Novas Tecnologias, formado por especialistas de alto nível que dialogarão com os países em vias de desenvolvimento do G-8 e com o setor privado.
Este grupo deverá entregar um informe durante a próxima reunião de cúpula do G-8, prevista para Gênova (Itália), em junho de 2001, para avaliar os progressos realizados no estabelecimento de um marco regulamentar, a baixa dos custos de acesso às novas tecnologias e a colocação em andamento das infra-estruturas.
A Carta de Okinawa destaca alguns grandes princípios que o G-8 promete defender: proteção dos direitos de propriedade intelectual, compromisso de não utilizar programas piratas, liberalização das telecomunicações, fiscalização coerente, promoção de normas comuns e de proteção ao consumidor.
No final deste ano serão cerca de 375 milhões de internautas no mundo, 100 milhões a mais do que no ano passado, mas seu número é extremadamente reduzido na África e nos países menos desenvolvidos da Ásia.
Apresentando-se na vanguarda contra o abismo numérico enquanto anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro japonês Yoshiro Mori reiterou a promessa de seu país em dedicar 15 bilhões de ienes (150 milhões de dólares) à formação e à transferência de tecnologias para os países menos conectados.
A iniciativa japonesa foi criticada à margem da cúpula pela organização humanitária britânica Oxfam, que suspeita que Tóquio quer utilizar esta nova forma de ajuda para o desenvolvimento que favorecerá os gigantes eletrônicos japoneses em detrimento das prioridades do terceiro mundo.
Não somos contra as tecnologias da informação, mas devemos questionar se as mesmas vão melhorar a qualidade de vida nas zonas do mundo onde existem ainda milhões de analfabetos e onde não há eletricidade ou infra-estruturas, indagou um dos dirigentes da Oxfam, Rasheda Choudhury.


