Os líderes dos principais países industrializados do mundo, com a esperançca de deter uma crescente reação contra a globalização, concluíram ontem sua reunião de cúpula anual com promessas de multiplicar seus esforços no sentido de fornecer educação, saúde e alimentos aos países mais pobres, para enfrentar assim a miséria no mundo. No entanto, o documento final aprovado pelos chefes de Estado que participaram do encontro não apresentou um plano de ação imediato para atingir os objetivos propostos, e os críticos da cúpula afirmaram que o dinheiro destinado à sua organização (o Japão gastou mais US$ 750 milhões nos preparativos) poderia ter sido destinado às necessidades mais urgentes dos países pobres.
No extenso comunicado divulgado no final do encontro de três dias, os líderes do G-8 integrado por EUA, Alemanha, Itália, Canadá, Grã-Bretanha, França, Japão e Rússia mencionaram ‘‘o progresso sem precedentes’’ de muitas nações e concordaram em que ’’ o século XXI deve ser um século de prosperidade para todos’’.
Em seu discurso de encerramento, o primeiro-ministro japonês Yoshiro Mori resumiu o espírito da cúpula dizendo ter feito todo o possível ’’ para unificar os pontos de vista de todos os líderes presentes em Okinawa. Outro objetivo atingido pelo governo japonês foi o de sediar uma cúpula sem problemas, com protestos apenas de pequenos grupos de manifestantes que não chegaram a perturbar os trabalhos do G-8 devido ao forte esquema de segurança adotado.
O presidente norte-americano, Bill Clinton, que pela última vez participou do
encontro anual dos líderes dos países ricos, foi homenageado durante o último jantar no castelo de Shuri pelo primeiro-ministro canadense Jean Chrétien, que o chamou de ‘‘um grande líder para todos nós’’ e ‘‘um grande presidente’’. O castelo, rodeado de muralhas vermelhas e brilhantes, foi sede da monarquia de Okinawa, que reinou sobre as ilhas da região como nação independente durante 300 anos, até sua assimilação pelo Japão no final do século XIX. Em seu pronunciamento, Clinton considerou como a principal meta acertada no encontro do G-8 a de trabalhar para que, até 2015, todas as crianças do mundo ganhem acesso à educação primária universal; ele também prometeu que os EUA enviarão excedentes de suas colheitas no valor de US$ 300 milhões para a merenda escolar dos países em desenvolvimento.
O documento final do G-8 também se referiu à revolução a tecnologia da informação, que está produzindo mudanças fundamentais na economia mundial, e indicou que os demais países precisam estabelecer políticas macroeconômicas adequadas, entre as quais maior competitividade e mercados mais flexíveis para se beneficiarem da era cibernética. ‘‘A economia mundial registrará um forte crescimento este ano’’, previu o documento, que também ressaltou a recuperação da crise financeira que sacudiu a região asiática em 1997.
O líderes do G-8 também convocaram os demais países para uma nova rodada de negociações comerciais globais no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

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