Londres - O ministro das Finanças da Grã-Bretanha, Gordon Brown, anunciou oficialmente a conclusão do acordo para o perdão de 100% da dívida multilateral de 18 países pobres, na reunião de ministros do G-8 (Grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), ontem, em Londres.
Com isso, serão anulados ''imediatamente'' US$ 40 bilhões da dívida multilateral de 18 países, indicou Brown ao término da reunião de dois dias dos ministros das Finanças do G-8.
O perdão total da dívida dos 27 países pobres endividados (PPTE) está calculado em US$ 56 bilhões. Os Estados Unidos, que a princípio pediam que a dívida fosse perdoada sob a condição de redução da ajuda a estes países, decidiram concordar com a proposta britânica, viabilizando enfim o acordo.
Em contrapartida, as questões do aumento da ajuda ao desenvolvimento, que representa o outro lado deste debate, foram pouco abordadas. Este tema deve ser um dos pontos cruciais da Cúpula dos chefes de Estado e Governo do G-8 em Gleneagles, na Escócia, de 6 a 8 de julho.
Os países pobres, entre eles Bolívia, Honduras, Nicarágua e Guiana, contraíram dívidas multilaterais com organismos financeiros como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial (Bird) e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Além deste assunto, o relatório final da reunião dos ministros das Finanças do G-8 comentou o desempenho da economia global e os altos custos do petróleo.
De acordo com o documento, o crescimento da economia mundial será forte em 2005, embora seu ritmo será menor que em 2004. ''O crescimento em 2005 será forte, mas terá ritmo mais moderado que em 2004'', destacou o G-8 em seu relatório final.
''Os altos preços do petróleo representam uma séria preocupação, porque prejudicam o crescimento econômico'', continuou. Os ministros das Finanças do G-8 pediram aos países produtores e consumidores de petróleo que reconheçam ''seus próprios interesses em garantir os futuros abastecimentos de cru''.
O ministro da Fazenda do Brasil, Antônio Palocci, participou da reunião como convidado e disse, em declarações paralelas ao encontro, que o Brasil atingirá os ''Objetivos do Milêmio'' de reduzir à metade a pobreza daqui a 2015.

mockup