Futuro imperador passou por Londrina
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segunda-feira, 29 de abril de 2019
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

No dia 1º de maio terá início a era Reiwa no Japão, com a abdicação do atual imperador Akihito e entronização de seu primogênito, o príncipe Naruhito. Muitos brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer de perto o futuro imperador. Em 2008, durante o centenário da imigração japonesa no Brasil, o príncipe Naruhito realizou uma visita de oito dias ao Brasil, passando por Brasília (DF), São Paulo (SP), Santos (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e pelas cidades paranaenses Londrina, Maringá e Rolândia.
Em Londrina, o príncipe (que é casado com a princesa Masako) participou da cerimônia de inauguração da praça Tomi Nakagawa e em Rolândia ele assistiu a apresentação de diversos grupos tradicionais nipo-brasileiros. Em Maringá foi a uma recepção no parque do Japão, onde também foram realizadas várias apresentações.
A professora Estela Okabayashi Fuzii, da UEL (Universidade estadual de Londrina), que já foi homenageada pela Casa Imperial do Japão com a condecoração Ordem do Tesouro Sagrado Raios de Ouro com Roseta, esteve presente à cerimônia em Rolândia. “Ele mais ouvia do que falava. Achei o príncipe muito democrático no contato que tive com ele. Achei que ele fosse mais frio e distante, mas se mostrou um excelente ouvinte”, observa a professora.
Segundo a professora, desde a era do imperador Mutsuhito (1867-1912), a família imperial japonesa soube se adaptar à realidade de cada época. “O Japão era um país isolado, que não aceitava nenhum povo até chegar à Era Meiji. Foi quando aconteceu a abertura para o mundo. Os japoneses aprenderam e assimilaram muito da cultura exterior, mas passaram pelo crivo do que interessava, do que era adaptável à cultura japonesa”, destaca. “Esse imperador que agora assume, desde a formação está bem preparado para enfrentar a realidade hoje, as mudanças que ocorreram em todos os sentidos”, analisa.
O presidente da Aliança Cultural Brasil Japão do Paraná, Eduardo Suzuki, era presidente da Acema (Associação Cultural e Esportiva de Maringá) na época da recepção ao futuro imperador, em 2008. “A recepção ao príncipe Naruhito foi ótima e o conheci de perto, porque o recepcionamos no Pavilhão do Japão. Ele foi bem receptivo e bastante comunicativo com a gente. Ele conversou muito sobre a comunidade japonesa no Brasil e perguntava como estava. Ficou muito contente de estar na comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil”, declara. Ele ressalta que essa visita tornou o próximo imperador bastante conhecido no Paraná. “Ele levou boa impressão de nosso Estado”, declara.
GERAÇÃO
A estudante de psicologia Celina Tanaka, 21, que morou no Japão entre 1998 e 2002, conta que tem acompanhado o noticiário sobre a mudança naquele país. “Na minha história tenho o Japão muito forte no meu cotidiano e na minha família. Gosto muito da cultura. Faço parte de um grupo de taikô (tambores japoneses e agora estou frequentando aulas de japonês”, ressalta. “Reconheço a importância da família imperial japonesa, mas como não estou em contato direto com esses fatos, acredito que para a minha geração não seja aquela figura que era para a minha avó, ou para a minha mãe. Talvez o impacto dessa mudança esteja diminuindo”, declara.
Outra estudante de psicologia, Sayuri Kaneko, 19, relata que acompanha pouco o noticiário da mudança no trono imperial japonês. “Já fui fazer intercâmbio no Japão e fui para lá quando ganhei um campeonato de taikô. Na minha família seguimos a tradição japonesa de maneira dividida: parte segue, outra parte não tem esses mesmo costumes. Eu estudei japonês por dez anos. Para mim o Japão é como se fosse uma utopia para o Brasil. Acho que o Brasil está longe de chegar ao nível de primeiro mundo que existe por lá. É outra realidade.”


