Furacão Mitch já causou 31 mil mortes
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segunda-feira, 09 de novembro de 1998
France Presse 
Cerca de 31 mil mortos e desaparecidos é o rastro do furacão Mitch em sua passagem pela América Central, de acordo com os dados divulgados pelo presidente da Nicarágua, Arnoldo Alemán. Alemán disse ontem à imprensa que só na Nicarágua, segundo estimativas, o Mitch deixou 4 mil mortos e 7 mil desaparecidos.
Com estes novos números, a quantidade de mortos e desaparecidos na América Central disparou para cerca de 31 mil. Em Honduras, a estimativa é de 7.500 mortos e 12 mil desaparecidos. A este número é preciso acrescentar 240 mortos e 135 desaparecidos em El Salvador, 253 mortos e mais de 200 desaparecidos na Guatemala, 7 mortos na Costa Rica e um no Panamá, segundo organismos da defesa civil.
Em Honduras, a estimativa é de 7.500 mortos e 12 mil desaparecidos. Duas aldeias ficaram soterradas no Estado de Olancho (ao leste do país), onde 50 mil pessoas estão isoladas pelas inundações e deslizamentos causados pelo furacão Mitch, informou ontem o Comitê de Emergência Regional (Coder).
O coronel Antonio Cuellar, presidente do Coder em Olancho, garantiu que várias áreas do mais extenso estado do país (23.905 km) estão incomunicáveis. Estamos preocupados com a sorte destas comunidades, de forma que nossa prioridade é chegar a estes setores para socorrê-los, continuou o militar.
Vinte países liderados pelos Estados Unidos, México, França e Inglaterra atenderam ontem os desesperados apelos do presidente de Honduras, Carlos Flores, para socorrer os milhares de desabrigados pelo furacão Mitch. A maior ajuda vem dos EUA, que destinarão US$ 40 milhões em ajuda humanitária e equipamentos para reconstruir pontes e serviços básicos.
Os Estados Unidos enviaram também mil homens entre soldados e engenheiros militares, e 32 helicópteros, anunciou o secretário da Marinha dos EUA, Louis Caldera. Sábado, dois aviões americanos trouxeram para Tegucigalpa 30 toneladas de arroz, feijão, azeite e uma mistura de milho e soja que serão distribuídos na zonas de maior necessidade no país. Ontem, três aviões foram para outros países assolados pelo Mitch.
O México enviou um contingente de 435 efetivos do exército, entre pessoal médico e unidades de resgate, que dispõem de 15 helicópteros e cinco aviões para os próximos dias, além da chegada do navio hospital em Puerto Cortés (Atlântico).
A França mandou ajuda alimentícia e técnicos que concentrarão sua ajuda em Tegucigalpa. O Japão enviará soldados e engenheiros para ajudar nas atividades de resgate, reconstrução e habilitação de cidades e pontes. A Inglaterra enviou para Honduras quatro barcos com helicóperos e 300 fuzileiros navais especialistas em trabalhos de salvamento.
Cuba enviou um hospital móvel com 15 médicos e enfermeiros que está operando em La Mosquitia, região atlântica do leste de Honduras habitada pelos indígenas Misquitos. Itália e Israel enviaram dois aviões com remédios e pessoal de brigada, equipamentos de reconstrução e resgate.
O Canadá enviará dois barcos com alimentos e remédios e mais 40 vôos com víveres, roupas, remédios e ajuda. Muitas ONGs e empresas multinacionais anunciaram ajuda. O Banco Mundial liberará um empréstimo de US$ 45 milhões para apoiar medidas de urgência em Honduras. O presidente da Corporação Aeroportuária de Tegucigalpa, José Agurcia, disse que as operações no aeroporto de Toncontín aumentaram 500% na última semana, porque o local se tornou o principal ponto receptor dessa ajuda.
Normalmente o aeroporto registra 40 operações de decolagem e aterrissagem por dia, a média agora é de 240. É de Tegucigalpa que parte a ajuda em helicópteros e aviões para as cidades do interior do país, muitas isoladas pelos destroços das pontes, pela água ou por enxurradas de lama deixadas pelo furacão Mitch.


