Agência Estado
De Charleston, EUA
No maior êxodo do gênero na história dos Estados Unidos, mais centenas de milhares de pessoas deixaram nesta quarta-feira a área costeira do sudeste do país para fugir do poderoso furacão Floyd, que correu o dia ao largo da costa da Flórida e da Geórgia e rumava na direção norte-noroeste a 23 quilômetros por hora – com previsão de atingir a terra ao amanhecer de hoje, na área limítrofe entre as Carolinas.
Ao todo, mais de 3,5 milhões de pessoas na Flórida, Geórgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul haviam deixado suas casas até o meio-dia de ontem, e moradores da Virgínia começaram a fazer o mesmo. Todas essas regiões estavam sob estado de emergência.
‘‘Não posso pensar em outra retirada da escala desta’’, disse um porta-voz da Agência Federal de Administração de Emergências. ‘‘E, à medida que o furacão se move para o norte, mais pessoas são deslocadas.’’
As autoridades de Washington e Nova York também começaram a preparar-se, distribuindo dezenas de milhares de boletins com medidas que devem ser adotadas caso seja necessária uma retirada de emergência.
Embora tendo caído para a categoria 3 na escala Saffir Simpson, com ventos sustentados de 200 km/h, a força do Floyd (com um diâmetro de 450 quilômetros) ainda era suficiente para causar danos generalizados e, segundo meteorologistas, ele deveria recobrar potência no contato com as águas quentes da Corrente do Golfo. Isso levou o presidente Bill Clinton a declarar as Carolinas ‘‘áreas de desastre’’ – como fizera na véspera com a Geórgia e a Flórida. Tal medida permite que esses Estados recebam ajuda federal de emergência.’’
‘‘Acreditamos que o Floyd vai acelerar-se e atingir algum ponto entre Myrtle Beach (na Carolina do Sul) e Wilmington (na Carolina do Norte) por volta do raiar do dia’’, afirmou Todd Kimberlein, do Centro Nacional de Furacões (CNF). ‘‘Isso causará danos consideráveis.’’
A administração do Condado de Horry (que inclui Myrtle Beach) decretou toque de recolher em quase toda a região a partir das 15 horas locais. Os violadores serão advertidos, multados e, se insistirem em não cumprir a medida, presos. ‘‘Não nos queremos preocupar com eles e não precisamos deles aí fora na tempestade’’, disse um porta-voz do condado, Mark Kruea.
No Condado de Beaufort, também na Carolina do Sul, 90% dos 120 mil residentes haviam deixado suas casas até a tarde de ontem. ‘‘Isso aqui está como uma tumba agora’’, disse um porta-voz do centro local de operações de emergência, Bud Boyne.
Mesmo sem sofrer o pior impacto de uma das maiores tormentas já surgidas no Atlântico, a Flórida foi atingida por fortes chuvas e teve árvores e linhas elétricas derrubadas pelos ventos, o que deixou milhares de residências sem luz. Em meio a ondas de até 6 metros, um rebocador com oito tripulantes afundou a mais de 400 quilômetros da costa do Estado. Um helicóptero do porta-aviões USS Kennedy resgatou três tripulantes que não haviam conseguido pegar um bote salva-vidas e estavam amarrados a uma baliza de emergência nas turbulentas águas. ‘‘Estavam flutuando na água, pode-se imaginar o perigo’’, disse o comandante do Kennedy, capitão Mike Miller. ‘‘Os outros cinco estão num bote e estamos traçando a direção em que o vento provavelmente os levou.’’
Na passagem pelas Bahamas, os ventos do Floyd chegaram a uma velocidade de 250 quilômetros por hora, matando pelo menos uma pessoa. O furacão destelhou várias residências, arrancou árvores de até 10 metros, derrubou torres de eletricidade e causou inundações.Depois de correr ao largo da costa da Flórida e da Geórgia, o Floyd ruma para o norte e deve atingir a terra na manhã de hoje
France Presse‘‘Raspando’’Mesmo sem sofrer o impacto previsto, o litoral da Flórida foi atingido ontem por fortes chuvas e ressacas

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