Cidade do Vaticano Os portões da basílica de São Pedro foram fechados ontem alguns minutos depois das 22 horas, hora local (17 horas de Brasília), pondo um fim a três dias de uma avalanche humana que queria se desepedir do Papa João Paulo II. Os funcionários da limpeza se puseram logo ao trabalho na basílica onde, de acordo com a imprensa italiana, mais de dois milhões de pessoas prestaram uma última homenagem ao Papa.
A missa fúnebre deve ter início às 10 horas (5 horas de Brasília) e durará três horas. João Paulo II será enterrado logo depois na cripta dos papas, sob a basílica.
Às vésperas desta cerimônia histórica, o Vaticano tornou público o testamento espiritual de João Paulo II, no qual ele teria se questionado sobre uma eventual renúncia, em 2000.
O Santo Padre, que morreu sábado passado depois de longa enfermidade que lhe arrebatou gradualmente a mobilidade e a palavra, também levantou a possibilidade de ser enterrado na Polônia, desitindo disso mais tarde, ao mesmo tempo em que atribuiu à intervenção divina sua milagrosa sobrevivência depois do atentado que sofreu em 1981.
O documento, revelado terça-feira, traduzido do polonês para o italiano, representa um conjunto de reflexões sobre a religião, a Igreja, numa linguagem íntima e simples.
As autoridades italianas asseguram que puseram em prática ''um dispositivo de segurança sem precedentes'' para o maior enterro da história, que mobilizará 40.000 pessoas entre agentes dos serviços de segurança do Estado (10.000, entre eles 1.000 atiradores de elite), voluntários da Defesa Civil e funcionários municipais.
Por motivos de segurança, o segundo aeroporto romano foi fechado ontem, proibindo o tráfego na cidade a partir da meia-noite. O trânsito estará proibido na cidade e seus arredores a partir das 2 horas (21 horas de Brasília) até as 18 horas (13 horas) de hoje uma decisão sem precedentes.
O aeroporto de Ciampino, o segundo da cidade, permanecerá fechado até a meia-noite, segundo as autoridades da aviação nacional, que acrescentaram que o tráfego do Fiumicino, o principal aeroporto, foi reduzido em 30% devido ao fechamento do espaço aéreo de Roma.
Desde quarta-feira à meia-noite até hoje os pequenos aviões privados estão proibidos de voar, enquanto que os helicópteros continuam sobrevoando o Vaticano, onde milhares de pessoas permaneceram esperando até 20 horas na fila para dar o último adeus ao Papa.
Mais de dois milhões de peregrinos visitaram o Vaticano desde segunda-feira, quando foi instalada a câmara-ardente do Papa João Paulo II, anunciou o prefeito de Roma, Walter Veltroni. ''É como se Roma tivesse recebido outra Roma'', declarou o prefeito.

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