Funeral do Papa começa às 5 horas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de abril de 2005
France Presse 
Cidade do Vaticano Os portões da basílica de São Pedro foram fechados ontem alguns minutos depois das 22 horas, hora local (17 horas de Brasília), pondo um fim a três dias de uma avalanche humana que queria se desepedir do Papa João Paulo II. Os funcionários da limpeza se puseram logo ao trabalho na basílica onde, de acordo com a imprensa italiana, mais de dois milhões de pessoas prestaram uma última homenagem ao Papa.
A missa fúnebre deve ter início às 10 horas (5 horas de Brasília) e durará três horas. João Paulo II será enterrado logo depois na cripta dos papas, sob a basílica.
Às vésperas desta cerimônia histórica, o Vaticano tornou público o testamento espiritual de João Paulo II, no qual ele teria se questionado sobre uma eventual renúncia, em 2000.
O Santo Padre, que morreu sábado passado depois de longa enfermidade que lhe arrebatou gradualmente a mobilidade e a palavra, também levantou a possibilidade de ser enterrado na Polônia, desitindo disso mais tarde, ao mesmo tempo em que atribuiu à intervenção divina sua milagrosa sobrevivência depois do atentado que sofreu em 1981.
O documento, revelado terça-feira, traduzido do polonês para o italiano, representa um conjunto de reflexões sobre a religião, a Igreja, numa linguagem íntima e simples.
As autoridades italianas asseguram que puseram em prática ''um dispositivo de segurança sem precedentes'' para o maior enterro da história, que mobilizará 40.000 pessoas entre agentes dos serviços de segurança do Estado (10.000, entre eles 1.000 atiradores de elite), voluntários da Defesa Civil e funcionários municipais.
Por motivos de segurança, o segundo aeroporto romano foi fechado ontem, proibindo o tráfego na cidade a partir da meia-noite. O trânsito estará proibido na cidade e seus arredores a partir das 2 horas (21 horas de Brasília) até as 18 horas (13 horas) de hoje uma decisão sem precedentes.
O aeroporto de Ciampino, o segundo da cidade, permanecerá fechado até a meia-noite, segundo as autoridades da aviação nacional, que acrescentaram que o tráfego do Fiumicino, o principal aeroporto, foi reduzido em 30% devido ao fechamento do espaço aéreo de Roma.
Desde quarta-feira à meia-noite até hoje os pequenos aviões privados estão proibidos de voar, enquanto que os helicópteros continuam sobrevoando o Vaticano, onde milhares de pessoas permaneceram esperando até 20 horas na fila para dar o último adeus ao Papa.
Mais de dois milhões de peregrinos visitaram o Vaticano desde segunda-feira, quando foi instalada a câmara-ardente do Papa João Paulo II, anunciou o prefeito de Roma, Walter Veltroni. ''É como se Roma tivesse recebido outra Roma'', declarou o prefeito.


