Fundador da Enron é acusado de fraude
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quinta-feira, 08 de julho de 2004
France Presse 
Houston, EUA - Kenneth Lay, o fundador e ex-presidente da empresa do setor energético, Enron, foi acusado de fraude ontem, dois anos e meio depois do escândalo que levou o grupo à falência, deixando milhares de trabalhadores sem emprego e causando perdas ao mercado de milhões de dólares.
Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, afirmou que o presidente George Bush não vinha mantendo contacto com Kenneth Lay há algum tempo.
Indagado sobre a data do último encontro entre os dois homens, Scott McClellan respondeu que ''remontava há algum tempo''. Kenneth Lay foi, durante anos, amigo de George W. Bush, contribuindo com sua campanha eleitoral e no financiamento do Partido Republicano com centenas de milhares de dólares.
Lay, 62 anos, foi acusado principalmente de fraude e de falso depoimento, em uma lista que inclui 11 acusações contra ele formuladas pelo magistrado do tribunal de Houston (Texas, sul), onde ficava a sede da empresa.
Segundo o ato de acusação, Lay sabia desde setembro de 2001 que as perdas da Enron alcançavam pelo menos 7 bilhões de dólares, e continuou emitindo falsos relatórios financeiros para minimizar os maus resultados da empresa. Lay pode ser condenado a até 175 anos de prisão e a uma multa de dezenas de milhões de dólares, segundo uma fonte do Departamento da Justiça. A Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC, sigla em inglês) entrou com uma demanda civil contra Lay por fraudes e falsas declarações sobre os verdadeiros balanços financeiros da Enron no ano de 2001. As manipulações contábeis da companhia causaram a falência do gigante do setor energético, em dezembro de 2003.
Após a leitura das acusações contra ele no tribunal de Houston, Lay foi libertado e clamou inocência durante uma entrevista coletiva à imprensa. ''Quero um julgamento o mais rápido possível. Estou ansioso para provar minha inocência'', frisou.


