Cidade do Vaticano - Com uma espessa fumaça negra, foi realizado ontem o primeiro dia do conclave do qual participam 115 cardeais encarregados de eleger o Papa que irá guiar 1,1 bilhão de católicos de todo o mundo no terceiro milênio.
Vinte mil pessoas concentraram-se na Praça de São Pedro para assistir à chaminé lançar a fumaça que anunciou o resultado negativo da primeira votação dos cardeais na Capela Sistina. Prevista para as 19 horas (14 horas de Brasília), a fumaça foi lançada apenas uma hora depois.
Após uma noite de descanso na Casa de Santa Marta, onde ficarão alojados enquanto durar o conclave, os cardeais retornarão às 9 horas de hoje (4 horas de Brasília) à Capela Sistina, para as duas votações matutinas, que terminarão com uma nova fumaça.
As portas da majestosa capela foram fechadas às 17h23 locais (12h23m de Brasília), dando início ao conclave, período durante o qual os cardeais permanecem isolados do mundo para eleger o chefe da Igreja. A partir de agora, sua única forma de comunicação com o exterior será através da fumaça que sairá da chaminé duas vezes por dia, a primeira às 7 horas de Brasília e a segunda, às 14 horas.
Conforme o ritual secular, o dia começou com a missa Pro Elegendo Pontifice (Pela Eleição do Papa), concelebrada na Basílica de São Pedro pelos cardeais eleitores de 52 países dos cinco continentes. O alemão Joseph Ratzinger, decano do colégio cardinalício, abriu a cerimônia pedindo a Deus que conceda aos católicos ''um pontífice reconhecido por sua santidade e inteiramente dedicado ao serviço do seu povo''.
Na homilia, que especialistas interpretaram como uma clara mensagem eleitoral, o conservador Ratzinger pediu ao futuro Papa que defenda a doutrina da Igreja da ''ditadura do relativismo'': ''Ter uma fé clara, segundo o credo da Igreja, é frequentemente rotulado de fundamentalismo, enquanto o relativismo, ou seja, o deixar-se levar daqui para lá por qualquer vento de doutrina, aparece como a única atitude à altura dos tempos modernos''.
Até agora, o ''dogmático'' Ratzinger, defensor de uma Igreja centralizada, apresenta-se como o candidato com o maior apoio, embora também possua muitos detratores. Outro favorito é o arcebispo de Milão, Dionigi Tettamanzi, apoiado pelo bloco reformista defensor de uma Igreja mais colegiada (liderado por Carlo Maria Martini, fora da disputa por estar doente).
Se ao fim das primeiras votações não houver consenso em torno de um dos dois, isto poderá significar uma grande oportunidade para um dos latino-americanos, o que seria uma surpresa parecida com a que ocorreu em 1978, quando foi eleito o desconhecido cardeal polonês Karol Wojtyla.
Uma vez escolhido o Papa, o protodiácono chileno Jorge Arturo Medina Estévez será responsável por apresentá-lo ao mundo do balcão da Basílica de São Pedro, onde avisará: ''Habemus Papam.''

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