Fujimori vai retomar contato com MRTA
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segunda-feira, 03 de fevereiro de 1997
Reuter, de Toronto 
NegociadorFujimori não descarta possibilidade de permitir que os rebeldes deixem o Peru Pressionado pelo governo de Tóquio a evitar uma ação armada para pôr fim à crise dos reféns em Lima, o presidente peruano, Alberto Fujimori, aceitou no sábado o pedido do primeiro-ministro japonês, Ryutaro Hashimoto, para que inicie contatos preliminares com o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA).
Na entrevista coletiva que se seguiu à reunião de uma hora e meia - a portas fechadas - entre os dois líderes, em Toronto, no Canadá, Fujimori não descartou a possibilidade de permitir que os rebeldes deixem o Peru e partam para o exílio. Mas reiterou que não aceitará a exigência do MRTA para que liberte cerca de 400 militantes do grupo que cumprem pena em várias prisões peruanas.
Não vamos libertar sujeitos que podem ser perigosos para o bem-estar da cidadania, afirmou Fujimori.
Hashimoto, que nos últimos dias manifestou publicamente sua preocupação com a intransigência do governo peruano nas negociações com os sequestradores, expressou, durante a entrevista, seu apoio à posição de Lima de não libertar os terroristas.
Numa declaração conjunta, divulgada logo depois do término da reunião, os dois dirigentes qualificaram a ação dos guerrilheiros como inaceitável e reafirmaram sua decisão de não ceder ao terrorismo.
Um comando integrado por cerca de 20 combatentes do MRTA invadiu a residência do embaixador japonês em Lima, durante uma festa em homenagem ao imperador Akihito, onde ainda mantêm 72 reféns. Entre os cativos na sede diplomática do Japão - área sob a qual Tóquio tem soberania -, há 20 executivos japoneses, um irmão de Fujimori, dois ministros de Estado de Lima, policiais, juízes e parlamentares peruanos.
Durante a entrevista, Fujimori afirmou que, no menor prazo possível, tentaria fazer com que os observadores e mediadores se comunicassem com os rebeldes para a reabertura do diálogo.
Uma comissão negociadora havia sido formada para conduzir as negociações. Ela é integrada pelo arcebispo de Ayacucho, José Luis Cipriani; pelo representante da Cruz Vermelha Internacional no Peru, Michel Minnig, e pelo embaixador canadense em Lima, Anthony Vincent. O ministro da Educação peruano, Domingo Palermo, e o líder do comando sequestrador do MRTA, Néstor Cerpa Cartolini, são os interlocutores das duas partes.
O primeiro-ministro japonês afirmou que seu governo confia plenamente na habilidade de Fujimori para manejar o incidente e qualificou a conversa com o presidente peruano como franca e aberta.
A reunião entre os dois líderes foi convocada por iniciativa de Tóquio, cujo governo demonstrou preocupação com a movimentação de tropas e veículos militares na vizinha da residência de seu embaixador nos últimos dias.


