O presidente Alberto Fujimori viajou ontem inesperadamente a Washington para um encontro com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, em aparente busca de uma saída para a crise política peruana. Hoje ele se reúne com a secretária de Estado Madeleine Albright.
Federico Salas, chefe de gabinete de Fujimori, admitiu que ‘‘estamos vivendo um momento difícil’’, e afirmou que ‘‘os países amigos da OEA e os EUA’’ temem que haja uma ruptura da ordem democrática no país.
Salas disse que Fujimori ‘‘viajou para Washington para reunir-se com a OEA e coordenar’’ um diálogo que desde agosto vem se desenvolvendo entre o governo e a oposição sob o patrocínio da organização internacional, a fim de fortalecer a democracia peruana.
O congressista Valentín Paniagua, do Partido Ação Popular, disse ser ‘‘estranho, surpreendente e inexplicável’’ a viagem de Fujimori num momento de crise econômica, ‘‘com uma greve de caminhoneiros que exige a presença muito firme do governo para pôr fim a esta situação’’.
Segundo Paniagua, vários fatores aguçaram a crise política: uma denúncia do congressista Miguel Mendoza e desmentida pelo Exército, a resolução do promotor Arquímedes Pesantes confirmando a impunidade do ex-chefe de inteligência Vladimiro Montesinos e a paralisação do Congresso.
‘‘Necessitamos de um novo gabinete que tenha capacidade de dialogar com todos os setores politicos do país, e autoridade para impor a ordem que agora parece não existir – especialmente nos quartéis’’, alertou Paniagua.
Fujimori viajou para Washington depois de Mendoza denunciar que o Alto Comando do Exército pressionou deputados governistas a abandonar suas fileiras e formar um bloco a favor de Montesinos.
O congressista também indicou que o novo bloco legislativo deveria ‘‘incitar à desordem no interior do Congresso e em seguida em todo o país, para provocar o caos generalizado’’. Isto propiciaria um golpe de Estado dentro de 20 dias, que por sua vez permitiria o retorno de Montesinos - que fugiu para o Panamá, onde pediu asilo no domingo passado. O Alto Comando do Exército negou a versão de Mendoza.

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