Na véspera da reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), convocada para avaliar as eleições presidenciais peruanas, o presidente Alberto Fujimori anunciou ontem que o Peru entrará ‘‘numa etapa de autêntica democratização’’, enquanto seu principal adversário, Alejandro Toledo, prometia mobilizar pelo menos 4 milhões de peruanos para impedi-lo de assumir o terceiro mandato.
Toledo retirou-se do segundo turno, alegando irregularidades – comprovadas pelo chefe da missão de observadores da OEA, chefiadas por Eduardo Stein.
‘‘Fujimori já deixou de ser o presidente constitucional do Peru’’, disse Toledo, economista de 54 anos, em entrevista a jornalistas estrangeiros. ‘‘O presidente impediu a realização de eleições livres e transparantes; o presidente violou a lei e, por isso, passei desde domingo a chamá-lo de ditador.’’
O oposicionista revelou que o país se encontra diante de dois cenários: a formação de um governo de transição ou a convocação de eleições limpas por parte do Congresso.
‘‘Vamos realizar intensa campanha em todo o país, exortando o povo à resistência pacífica’’, acrescentou. ‘‘Esperamos que pelo menos 4 milhões de peruanos se dirijam a Lima em 26 de julho, para impedir que ele assuma novamente a presidência.’’
Ele disse também que seu partido - Peru Possível - está empenhado numa articulação com os demais grupos oposicionistas para a formação de um sólido bloco parlamentar, que dará sustentação parlamentar ‘‘ao clamor popular contra a posse de Fujimori’’.
O líder oposicionista acusou os partidários do presidente peruana de ‘‘empenhar-se a fundo’’ numa campanha de compra de parlamentares. ‘‘Querem obter a qualquer custo a maioria necessária para garantir mais um mandato a Fujimori’’, disse. Segundo ele, os partidários de Fujimori conseguiram 53 cadeiras no plenário. ‘‘Agora, querem chegar a 61 ou 62 para obter a maioria.’’
Com a desistência de Toledo, Fujimori concorreu sozinho nas eleições de domingo, obtendo 51,07% dos votos. Votaram em Toledo 17,42%. Atenderam ao chamado dele para anular o voto 30,28% dos eleitores que compareceram aos postos de votação.
Toledo disse ter enviado representantes à Europa, Estados Unidos e América Latina para explicar a posição de seu partido – Peru Possível – diante da crise institucional.
Fujimori disse que seu terceiro mandato não deve sere confundido com mero continuismo. ‘‘Vamos partir para uma etapa superior, na qual temos a mais firme convicção de superar os problemas pendentes e corrigir erros com o propósito de fortalecer a institucionalidade democrática.’’
Ontem, o Departamento de Estado norte-americano atenuou as críticas e disse que não julgará os acontecimentos no Peru nem tomará medidas unilaterais contra o país antes de ouvir os governos dos países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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