O presidente peruano Alberto Fujimori – que está em Tóquio – apresentará seu pedido de renúncia ao Congresso da República até a próxima terça-feira, anunciou ontem o primeiro-ministro Federico Salas.
‘‘Ele (Fujimori) não quer de forma alguma atrapalhar este processo de democratização e quer que as próximas eleições possam ser absolutamente cristalinas para toda população peruana’’, disse Salas à emissora Radioprogramas do Peru.
Salas afirmou que falou com o presidente pelo telefone. ‘‘O que posso informar é que esta decisão foi tomada pelo presidente com o objetivo de evitar as consequências dos rumores de todo tipo e ele prefere que a população esteja inteirada do assunto’’, disse.
Salas não foi claro quando perguntaram se Fujimori retornará a Lima para formalizar o pedido de demissão. ‘‘A informação mais precisa vocês terão quando ele enviar carta ao Congresso no máximo até terça-feira’’, disse.
Segundo Salas, Fujimori será substituído, uma vez que peça renúncia, pelo segundo vice-presidente Ricardo Márquez, depois da renúncia pedida pelo primeiro vice-presidente Francisco Tudela.
Caso Márquez não aceite assumir Presidência, Salas lembrou que o presidente do Congresso, o opositor Valentín Paniagua, é o próximo na linha de sucessão. Ele foi eleito na quinta-feira passada, mostrando a mudança a favor da oposição nas relações de força no parlamento.
‘‘O vice-presidente Márquez terá que tomar uma decisão a respeito logo que o presidente apresentar seu pedido de renúncia’’, disse Salas.
A renúncia de Fujimori acontece em meio a uma grave crise política desencadeada pelo seu ex-assessor Vladimiro Montesinos, depois que foram divulgadas fitas em que ele oferecia dinheiro a um parlamentar da oposição para passar para o lado do governo.
A crise aumentou depois que se descobriu que Montesinos, ex-chefe dos serviços secretos de Fujimori, tem contas bancárias com 50 milhões de dólares na Suíça, na ilha caribenha Grande Caymã, em Nova York e em outros lugares.
Ontem, ao tomarem conhecimento do anúncio da saída de Fujimori, os ministros de Estado do Peru apresentaram suas renúncias ante o primeiro-ministro, Federico Salas, e expressaram sua indignação pelo repentino anuncio de demissão do presidente. Os ministros expressaram que decidiram deixar seus cargos frente ‘‘a renúncia do presidente da República, Alberto Fujimori, num contexto de grave crise e de incerteza por sua volta, (pelo que) devemos expressar nossa indignação por fato tão surpreendente’’.

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