Fujimori intriga peruanos
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terça-feira, 19 de setembro de 2000
Roberto Lameirinhas Agência Estado De Lima 
A 140 quilômetros por hora, um furgão blindado Mercedes-Benz transitava pelas avenidas de Lima. A bordo, estavam o presidente peruano, Alberto Fujimori, dois assessores, um segurança e uma outra pessoa que não foi identificada. O veículo era seguido por outros três furgões lotados de agentes de segurança que tentavam fechar um carro que conduzia jornalistas da Radioprogramas de Peru (RPP) e evitar a perseguição.
O veículo de Fujimori partiu da Casa de Pizarro, sede do governo, por volta da 1 hora (3h de Brasília). Cerca de 15 minutos depois, chegou ao quartel-general do Exército, conhecido como Pentagonito. Os repórteres só chegaram ao local depois que o veículo presidencial já tinha entrado no quartel. Quando o carro saiu, os jornalistas não conseguiram identificar Fujimori entre seus ocupantes, gerando a especulação de que o presidente passou a noite no quartel.
Quando o dia amanheceu, nenhum político ou assessor comentou a visita do presidente aos chefes militares nem confirmou ou desmentiu que Fujimori tivesse passado a noite no quartel, mas o fato lançou mais nuvens negras no sombrio cenário atual da política peruana.
Não acho possível que Fujimori tenha ido ao Pentagonito para urdir alguma quartelada, disse à Agência Estado uma fonte diplomática latino-americana. Se houvesse alguma possibilidade de um golpe de Estado, ela seria desfechado contra Fujimori e não por ele. Além disso, há três fatores que desestimulam as previsões de que haja um golpe de Estado em marcha, prosseguiu.
Primeiro: o momento mais propício para que os militares desfechassem um golpe já passou. O timing ideal seria no sábado ou no domingo, quando o país estava mais ou menos convulsionado pelo anúncio de Fujimori. Segundo: o Peru é hoje um país extremamente dependente de investimentos estrangeiros e os militares têm plena consciência de que uma aventura golpista não duraria mais do que 24 horas. E terceiro: as forças militares não estão tão coesas a ponto de levar um golpe de Estado adiante, enumerou a fonte.
O líder do partido Frente Independente Moralizadora (FIM), Fernando Oliveira responsável pela divulgação da fita de vídeo que mostra Montesinos subornando um congressista da oposição, Alberto Kouri negou versões de que a gravação tivesse chegado até suas mãos por meio de militares, membros do governo inimigos do ex-chefe do SIN ou por ação de agentes da CIA, a agência de espionagem dos EUA. Ele qualificou de ridícula a informação de que a agência de espionagem americana estava envolvida no episódio.


