LIMA - O presidente peruano, Alberto Fujimori, anunciou ontem que as negociações com os líderes do comando sequestrador do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) - que desde 17 de dezembro mantém 72 reféns na residência do embaixador do Japão em Lima - ‘‘estão avançando’’, sem que o governo tivesse de ceder em suas posições. Em entrevista à agência de notícias japonesa Kyodo, Fujimori recordou que as últimas negociações tiveram caráter apenas ‘‘preliminar’’, mas disse estar otimista em relação a uma solução pacífica para a crise. ‘‘Não posso revelar o conteúdo das conversações agora, mas o fato de elas continuarem ocorrendo com frequência é muito positivo’’, declarou o presidente.
Na véspera, o líder do comando guerrilheiro, Néstor Cerpa Cartolini, e o negociador do governo, Domingo Palermo, conversaram por quase quatro horas numa casa próxima à mansão tomada pelo MRTA. Os três membros na comissão mediadora - o arcebispo de Ayacucho, um representante da Cruz Vermelha e o embaixador do Canadá - também participaram do encontro. No final da reunião, Cerpa, que havia deixado a residência do embaixador do Japão pela primeira vez desde o início do sequestro, declarou que as partes tinham alcançado ‘‘progressos substanciais’’, mas não deu mais detalhes.
O MRTA quer a libertação de mais de 400 militantes do grupo presos no Peru mas o governo considera a exigência inaceitável, concordando apenas com a partida para o exílio dos integrantes do comando que estão na mansão.
Hebe de Bonafini, líder do grupo argentino de defesa dos direitos humanos Mães da Praça de Maio, chegou ontem a Lima para tentar mediar um acordo entre o MRTA e o governo, a convite dos guerrilheiros. Na véspera, Fujimori havia rejeitado a inclusão do grupo na comissão de mediação.

mockup