Fujimori garante que controla os militares
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terça-feira, 24 de outubro de 2000
Associated Press De Lima 
Em sua primeira declaração pública desde o retorno de seu polêmico ex-assessor de inteligência Vladimiro Montesinos ao Peru, o presidente peruano, Alberto Fujimori, assegurou ontem que mantém o firme controle sobre os militares do país e criticou veladamente a renúncia de seu primeiro vice-presidente, Francisco Tudela, anunciada na véspera.
Na mesma entrevista coletiva, concedida depois de o presidente ter feito uma visita a várias instalações militares, Fujimori reiterou que não atenderá aos pedidos da oposição para que renuncie. Lamento que a demissão do sr. Tudela tenha ocorrido no momento em que a situação e as batatas se esquentam, declarou. Para mim também teria sido muito mais fácil renunciar. Mas, senhores, quando há um problema, quando há uma crise, aqui estou eu, para que sigamos construindo um país que tenha viabilidade e futuro.
A crise política que tem Montesinos como pivô teve início em 14 de setembro com a divulgação de um vídeo no qual o ex-chefe do agora extinto Serviço de Inteligência Nacional (SIN) aparecia supostamente subornando um congressista da oposição, Alberto Kouri, para que ele aderisse à bancada governista. Com o escândalo envolvendo um de seus principais sócios no poder, Fujimori anunciou a convocação de eleições antecipadas para o Congresso e a presidência para o ano que vem, comprometendo-se a não tomar parte delas. Assim abreviava seu terceiro mandato consecutivo, recém-inaugurado em 28 de julho, após um processo eleitoral marcado por acusações de fraude e boicotado pela oposição.
Entre rumores de golpe militar e protestos de rua em várias cidades do Peru, Montesinos viajou para o Panamá onde pediu asilo político há um mês. Mas, ainda antes que o pedido de asilo fosse analisado pelo governo panamenho, o ex-assessor de inteligência do regime Fujimori abandonou o Panamá na segunda-feira, retornando ao Peru e novamente acirrando os ânimos entre a oposição e o governo.
O opositor Alejandro Toledo, que se recusou a disputar o segundo turno de 28 de maio com Fujimori, voltou a exigir a renúncia do presidente. Grupos de oposição que vinham negociando com o governo as regras para as próximas eleições acusam os governistas de estarem condicionando a marcação da data da votação à concessão de uma anistia geral, que beneficiaria Montesinos e vários militares suspeitos de terem cometido irregularidades.
A Organização dos Estados Americanos (OEA), que vinha mediando as negociações, retirou-se temporariamente do processo. O chefe da missão da OEA no Peru, o dominicano Eduardo Latorre, disse que a entidade considera inaceitável a imposição de uma anistia por parte do governo. O secretário-geral da entidade, o colombiano César Gaviria, chegaria ontem à noite em Lima para tentar acabar com o impasse entre as duas partes.
Na tentativa de exibir o comando que afirma manter sobre os quartéis, Fujimori anunciou a substituição de seis coronéis do Exército dos cargos administrativos que ocupavam. De acordo com o jornal peruano Expreso, próximo ao governo, o presidente passou a noite na sede do antigo SIN.


