LIMA - O presidente peruano Alberto Fujimori participa desde anteontem de uma reunião maratônica com seus ministros para encontrar uma solução para a captura de reféns na residência do embaixador do Japão em Lima, que entra hoje em seu 12º dia. Fujimori e os ministros, com exceção de dois que estão em poder do comando guerrilheiro, se reuniram durante dez horas anteontem e continuavam discutindo às 23h30 locais (2h30 de Brasília de ontem), segundo um porta-voz da Presidência.
Também sábado à noite, o representante da Cruz Vermelha, Michel Minnig, desmentiu informações da imprensa de que os reféns tenham sofrido torturas ou abusos por parte dos rebeldes Tupac Amaru. Cento e três pessoas continuam em poder do comando guerrilheiro, que exige a libertação de 400 companheiros detidos em diversas prisões do Peru.
A paciência é a melhor aliada para se conseguir um desfecho feliz em casos como a captura de reféns por um comando guerrilheiro em Lima, afirma o embaixador da Colômbia no Peru, Luis Guillermo Grillo, que já participou em negociações deste tipo.
‘‘Deve haver firmeza, mas também disposição ao diálogo’’, ressalta o diplomata, que há cinco anos foi encarregado pelo governo colombiano de negociar com um grupo de guerrilheiros do país que mantinha como reféns funcionários das Nações Unidas em Bogotá.
‘‘Buscar saídas rápidas é perigoso, principalmente para a vida dos reféns’’, enquanto que ‘‘negociações a longo prazo, embora cansativas, são mais seguras’’.
No caso de Lima, Grillo considera um acerto a decisão de Fujimori de descartar uma opção militar. ‘‘O primeiro contato é decisivo’’, lembra Grillo, que acha que os negociadores, ao sentarem-se frente a frente, devem superar a tensão sem romper um respeito mútuo.
Uma vez estabelecido o marco para dialogar, Grillo destaca que os negociadores devem usar o princípio diplomático de solucionar primeiro os pontos em que existem menos diferenças e deixar para o final as posições mais radicais. No desenvolvimento das ‘‘conversações sempre deve haver espaço para opções e possibilidades’’ e isto exige - segundo o diplomata - que ‘‘o negociador seja capaz de interessar-se honestamente pelas reivindicações do lado oposto’’. Explica que ‘‘não se trata de identificar-se com seus princípios, mas de ser capaz de entender sua situação’’.
Contudo, Grillo diz que cada caso tem particularidades próprias e que devem ser respeitadas as ações que cada governo tomar. O embaixador escapou por minutos de estar entre os reféns em Lima, já que deixou a residência antes de os guerrilheiros explodirem a carga de dinamite para entrar no local. Contou que enquanto se afastava da mansão, ouviu o barulho e pensou: ‘‘As festas já começaram’’. Para Grillo, alguém tinha lançado um rojão para comemorar a proximidade das festas de fim de ano.

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