O ex-presidente peruano Alberto Fujimori, destituído na quarta-feira por ‘‘incapacidade moral permanente’’, foi denunciado perante a Procuradoria da Nação por supostos delitos e enriquecimento ilícito em cumplicidade com seu ex-assessor, Vladimiro Montesinos, que está foragido da Justiça.
Fujimori, que decidiu renunciar e permanecer em Tóquio após sair de modo quase sub-reptício do Peru, enfrenta outras acusações constitucionais devido à forma pela qual administrou o país e por permitir atos de ‘‘gravíssima corrupção’’.
A denúncia contra Fujimori foi formulada perante a Procuradoria pelo procurador ‘‘ad hoc’’ José Ugaz, encarregado dos negócios do Estado nos interrogatórios sobre as contas milionárias e outros delitos cometidos por Montesinos.
Segundo Ugaz, há indícios e evidências que vinculam Fujimori e Montesinos em atos de corrupção e enriquecimento ilícito.
Ugaz instruiu o promotor e o juiz pertinentes que ‘‘procedam à abertura de uma investigação contra Fujimori por causa dos indícios sobre suposta movimentação de dinheiro entre Cingapura e Japão’’.
O procurador assinalou que a denúncia feita foi motivada também pela versão do narcotraficante colombiano Roberto Escobar, que contou que seu irmão, Pablo, havia entregue dinheiro a Montesinos para a campanha eleitoral de Fujimori de 1990.
Ao mesmo tempo, apareceu outro vídeo que mostra Montesinos em uma reunião familiar em companhia de sua esposa e filha, assim como uma pessoa de sobrenome Stone, vinculada ao tráfico de armas.
Este segundo vídeo comprova ainda o vínculo – do qual ainda não havia provas – entre Montesinos e uma outra personagem: a ex-Procuradora Suprema da Nação, Blanca Nélida Colán Maguiña, que aparece como madrinha da filha do controvertido ex-assessor.
Colán Maguiña havia se mantido como obstinada defensora de Montesinos em muitas denúncias que a ela cabia examinar em várias investigações judiciais, mas todas foram arquivadas por ordem da Procuradora Suprema.
O Conselho Nacional de Magistratura abriu porcesso contra Colán e tudo parece indicar que a juíza seria acusada e detida nos próximos dias por delitos contra a administração da Justiça e por suposto enriquecimento ilícito.
Alguns analistas consideram que Fujimori e Montesinos são ‘‘irmãos siameses’’ e co-responsáveis pelos gravíssimos delitos dos quais são acusados.
O governo japonês sabe o paradeiro de Fujimori, mas não revela, segundo fontes oficiais. ‘‘Não podemos revelar seu paradeiro devido às circunstâncias que envolvem o presidente. A segurança também precisa ser levada em conta’’, disse o porta-voz do governo japonês, Yasuo Fukuda. Até anteontem, o paradeiro do ex-presidente peruano era desconhecido no Japão.
De acordo com fontes do ministério de Assuntos Exteriores do Japão, até agora o governo ainda não recebeu nenhuma petição ou notificação de Fujimori sobre seu desejo de permanecer no país. ‘‘Não sabemos quais são suas verdadeiras intenções e não podemos dizer se ele está ou não no Japão’’, afirmou um porta-voz.
Segundo noticiou uma televisão japonesa, Fujimori deve ter-se abrigado na casa do cunhado, o embaixador peruano no Japão, Víctor Aritomi Shinto, que apresentou na quarta-feira à noite sua renúncia ao cargo. Juan Aulitch, funcionário da embaixada peruana em Tóquio, foi designado embaixador interino.

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