Fujimori descarta o uso de violência
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 1997
Reuter, 
de Lima
France PressePela pazMulheres peruanas participam de manifestação diante da Embaixada pedindo solução pacífica para a crise
Veículos blindados e helicópteros da polícia, que há três dias se movimentavam nas proximidades da casa em Lima, voltaram a circular ontem perto da residência do embaixador japonês em Lima, onde estão 73 reféns mantidos pelos guerrilheiros do grupo Tupac Amaru. Os blindados, que levavam soldados fortemente armados, circularam horas depois de o presidente peruano, Alberto Fujimori, ter negado que a intensa movimentação policial na área seja preparação para uma ofensiva contra os rebeldes do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA).
Ontem, 38º dia do sequestro, as negociações entre o governo e a guerrilha continuam, aparentemente, paralisadas. Pela manhã, os rebeldes usaram alto-falantes para reiterar a intenção do grupo de resistir até a morte, se necessário.Não nos vencerão, gritou um deles. Um coro de militantes, que repetia o bordão castrista Pátria ou morte, se seguiu ao grito.
Durante a inesperada visita de cinco horas que fez à Bolívia, Fujimori disse que a operação da polícia, que lacrou com madeiras e pregos duas portas laterais e uma janela da mansão, não fazia parte de uma manobra de intervenção à força. Isso seria um absurdo, analisou. As áreas vizinhas à residência não estão ocupadas pelo MRTA e estão sob a jurisdição do governo peruano; o Ministério do Interior pode agir lá como bem entender.
Fujimori reiterou que seu governo se esforça para alcançar uma saída pacífica para a crise, mas, na mesma entrevista, ele disse que os integrantes do comando sequestrador não ficarão impunes. A declaração provocou novas dúvidas sobre a intenção do governo de levar adiante sua proposta de conceder anistia aos terroristas e permitir que eles partam para o exílio. A possibilidade de atender à exigência do comando e libertar mais de 400 militantes do MRTA foi totalmente descartada por Fujimori.
A deputada Mar Chávez, uma das principas dirigentes do partido de Fujimori, disse ontem acreditar que só a saída dos rebeldes do Peru poderá resolver pacificamente a crise.


