Fujimori dá sinais de cansaço e cede
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 1997
France Presse, De Lima 
DescompassoSoldados vão vigiando a casa do embaixador e Fujimori vai cedendoO radicalismo do presidente peruano Alberto Fujimori, demostrado ao longo de sete anos de governo, está visivelmente abalado, provavelmente devido à prolongada crise dos reféns e à constante pressão do governo japonês.
O homem de decisões verticais, de poucos ouvidos a seu fechado círculo de assessores e considerado pela oposição política como um ditador, pediu - para surpresa de todos - sugestões a pessoas e entidades interessadas que possam chegar à solução da crise dos reféns.
Estas sugestões, no entanto, devem ter como base, segundo o próprio Fujimori, a não-libertação de nenhum dos membros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, que estão presos em cadeias do país.
O Presidente deixou de lado o discurso severo no último 21 de dezembro, quando afirmou: Que os terroristas ponham as armas de lado ante uma comissão e facilitem a evacuação de todos os reféns, sem exceção. Desta forma, também será descartado o uso da força por parte do Estado peruano e daí, se chegará, com toda certeza, a uma saída que se possa estudar.
Agora, Fujimori pede que as reuniões entre governo e rebeldes continuem. Esperamos que o diálogo direto se consiga quando se obtenham certos consensos entre garantes e MRTA. Penso que, aqui, todos procuramos soluções rápidas, sem arriscar a segurança do país, disse.
Para apressar as negociações, ele viajou para a República Dominicana e Cuba (país do qual o Peru sempre manteve distância devido à pressão norte-americana) em busca de países que possam acolher os rebeldes, apesar destes terem recusado publicamente e garantido que querem ficar na selva central, que há anos se tornou sua fortificação.
Alguns observadores sustentam que o abrandamento da postura de Fujimori se deve ao fato de que investidores estrangeiros mantêm cautela, especificamente empresários japoneses que tinham planejado entrar este ano no país para formar empresas mistas. Outro motivo é a constante pressão do governo japonês, que está comprometido com a solução por meio pacífico.
Uma ação violenta com mortes custaria o cargo do primeiro-ministro, Ryutaro Hashimoto, e do chanceler japonês, segundo o analista Yusuke Murakami.


