Fujimori 'caça' Montesinos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de outubro de 2000
Associated Press De Lima 
O presidente Alberto Fujimori reiterou ontem ter dado ordens para que as buscas prossigam noite e dia até que seu ex-assessor de Inteligência, Vladimiro Montesinos, seja encontrado, após ter fracassado, na noite de anteontem, a tentativa por ele liderada de localizar o ex-chefe do serviço secreto numa estância turística ao pé dos Andes, nos arredores de Lima.
Ao mesmo tempo, o anúncio, feito anteontem à noite, de que governo e oposição graças à mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiram marcar eleições gerais para abril de 2001 começou a dar novos rumos às discussões políticas.
Fujimori esclareceu que as operações estavam destinadas a localizar Montesinos, uma vez que ainda não havia nenhuma ordem judicial contra ele. Assim, não nos corresponde sua captura, declarou. O presidente explicou que Montesinos não ouviu seus conselhos para que permanecesse fora do país (ele voltou do Panamá no domingo).
O secretário-geral da OEA, César Gaviria, participou das discussões entre representantes do governo e da oposição e, ao final, declarou que o acordo permitirá aos peruanos a realização de eleições com todas as garantias de um processo justo, livre e transparente.
O pleito será convocado em 8 de novembro, depois que o Congresso aprovar uma reforma constitucional para reduzir o mandato de Fujimori de cinco para um ano, e igual período para os congressistas.
Fontes militares informaram que Fujimori sabe muito bem onde está Montesinos e, na verdade, vem mantendo exaustivas negociações sobre as condições em que ele será apresentado ao público. Segundo essas fontes, o ex-assessor está na sede da Segunda Região Militar, situada em Lima e comandada pelo cunhado dele, general Luis Cubas. Trata-se da mais poderosa das oito regiões militares do país. Membros da oposição qualificam de farsa a operação liderada por Fujimori para encontrar Montesinos.


