Fuga do Líbano inclui propina, diz brasileira
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quinta-feira, 20 de julho de 2006
Folhapress 
São Paulo - A jornada de quem tenta escapar da violência no Líbano por conta própria inclui mais que orações para escapar dos bombardeios: é preciso ter paciência, sorte e dinheiro no bolso para pagar as ''taxas extras'' criadas pelo mercado informal do conflito entre Israel e o Hezbollah.
A brasileira Nádia Dalank, 31 anos, que chegou ao Brasil na última terça-feira, relata que escapou por pouco de um bombardeio de Israel, lançado contra a estrada que liga o vale do Bekaa a Beirute, e teve de pedir dinheiro emprestado para pagar as propinas que a trouxeram de volta.
Ela chegou ao Líbano de férias em 24 de junho ao lado do marido, Caled Jaudati Kabri, 42, da mãe Nohad Dalank, 68, e dos dois filhos pequenos uma menina de dois anos e um menino de quatro.
Dalank explica que os que tentam escapar do Líbano têm de fazer várias paradas na fronteira até à Síria. ''Na primeira parada, você preenche um cartão de identificação. Na segunda, precisa mostrar os passaportes e obter o visto para entrar no país''.
Segundo a brasileira, para conseguir o visto, ela teve que pagar US$ 100 por cada membro da família US$ 40 de taxa e US$ 60 de propina. ''Se você não pagar as propinas, não passa.''
Em uma terceira parada, os automóveis precisam ser identificados e, em seguida, as malas são revistadas. Na última parada da fronteira, os passaportes são checados novamente. ''Aí você precisa pagar mais uns US$ 30 de propina, ou fica horas esperando para ser liberado'', conta Dalank.
Mas o pagamento das ''taxas do conflito'' não pára por aí. Ao chegar a Damasco na terça-feira, ela precisou pagar US$ 70 a um morador para passar a noite em sua casa com a família. ''Os hotéis estão lotados, então as pessoas alugam as próprias casas'', diz.


