Frustrado ataque a líderes afegãos
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terça-feira, 30 de julho de 2002
Pierre Celerier <BR>France Presse 
CabulA polícia secreta afegã afirmou ontem que desbaratou um complô contra um ou vários dirigentes do país, depois de deter na segunda-feira em Cabul um carro-bomba com dois suspeitos de estarem vinculados ao grupo terrorista Al Qaeda. ''Um cidadão afegão e outro suspeito, aparentemente estrangeiro, foram detidos em um Toyota Corolla carregado de explosivo semtex no centro de Cabul'', revelou o general Din Mohammad Djurat.
''A investigação inicial mostra que os presos pensavam assassinar um alto dirigente do governo ou o presidente do país (Hamid Karzai), ou então atacar qualquer propriedade estrangeira'', declarou aos jornalistas Amrullah Saleh, diretor da polícia secreta (NDS).
Os dois supostos terroristas, entre eles um estrangeiro, foram detidos na segunda-feira depois de um acidente de trânsito com seu automóvel, que estava repleto de explosivos, segundo o general Din Mohammad Djurat, diretor de segurança pública do ministério do Interior.
Segundo Saleh, o suspeito estrangeiro não era paquistanês, ao contrário do que imaginou o general Djurat. Acrescentou que ''existe uma variedade de (grupos) terroristas alinhados com o taleban e a Al Qaeda e que ele é de uma dessas nacionalidades''.
Acredita-se que o grupo terrorista Al Qaeda de Osama Bin Laden, de origem saudita, e os talebans afegãos, cujo regime foi derrubado no ano passado, possuem combatentes procedentes do norte da África, do Oriente Médio, do Cáucaso e da Ásia central.
A polícia secreta afegã tem informações sobre uma tentativa de coordenação das atividades no Afeganistão da Al Qaeda, dos talebans e do movimento afegão fundamentalista Hezb-i-Islami, de Gulbuddin Hekmatyar.
Segundo o general Djurat, caso não conseguissem atingir um membro do gabinete de ministros, ''um terrorista iria estacionar o veículo em um dos centros da ISAF (Força Internacional de Assistência a Segurança) e o faria explodir''.
A ISAF, coalizão internacional que conta com forças provenientes de 20 países e ajuda as autoridades com patrulhas para dar segurança a Cabul, ''não teve nenhum envolvimento no incidente e não temos mais informações a respeito'', declarou ontem a porta-voz da força, a major britânica Angela Herbert.
A prisão dos dois homens aconteceu três semanas depois do assassinato, em Cabul, de um dos vice-presidentes afegãos, Haji Abdul Qadir, cometido por dois homens quando o político saía de seus escritórios no centro da capital em um veículo.
A segurança do presidente de transição, Hamid Karzai, foi reforçada recentemente com a presença de membros das forças especiais norte-americanas. Na noite de segunda-feira a segurança já havia sido reforçada em Cabul.


