Fronteira com controle remoto
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de junho de 2004
France Presse 
Jerusalém - O governo de Israel examina a possibilidade de criar uma fronteira terrestre de alta tecnologia controlada à distância com a Faixa de Gaza, após da retirada desse território, prevista para 2005, segundo fontes militares israelenses consultadas este sábado pela AFP.
Estas medidas se somarão ao projeto de um gigantesco fosso entre o sul do território e o Egito, destinado a impedir o contrabando de armas a partir desse país.
Dentro dos preparativos do exército para a aplicação do plano de retirada (de Gaza), estão sendo examinadas várias opções de defesa nesse setor, algumas das quais incluem meios tecnológicos modernos, informaram as fontes militares sem dar mais detalhes.
Este inovador conceito de fronteira controlada à distância mediante tecnologias modernas se baseia no fato de que, já que o exército israelense não dispõe de profundidade estratégica nesse setor, as localidades israelenses vizinhas da fronteira estarão ao alcance de um ataque imediato, informou neste fim de semana o jornal Yediot Aharonot.
A forma de impedir essa situação consiste em criar um aparelho sofisticado de controle e disparos à distância, reduzindo ao mínimo o tempo de intervenção, a partir de um posto de comando.
Artefatos de controle remoto capazes de detectar e detonar cargas explosivas patrulharão o lado israelense ao longo desta fronteira eletrônica, de aproximadamente 50 km de comprimento, segundo o jornal.
No fim de março, aproveitando uma conferência sobre os conflitos de pouca intensidade em Tel Aviv na qual participaram delegações militares de 36 países, o exército israelense expôs seus últimos avanços em matéria de armamento.
Lahav, uma divisão da Indústria Aeronáutica Israelense, expôs nessa oportunidade o Guardium, um curioso veículo de intervenção rápida, alto, com rodas, blindagem leve, totalmente robótico e manipulado de um posto de controle, para enfrentar em poucos minutos uma tentativa de infiltração numa localidade ou numa área protegida por uma cerca de segurança.
Por outra parte, o projeto de cavar um gigantesco fosso de 15 a 25 metros de profundidade, 4 km de comprimento e 120 metros de largura em Rafah, no extremo sul da faixa de Gaza, continua sendo aplicado.
De acordo com a licitação publicada na quinta-feira no jornal Haaretz pelo ministério da Defesa, os empresários que se interessarem pelo estudo de viabilidade desse projeto visitarão na terça-feira esta região.
Este fosso será cavado no corredor Filadélfia, um eixo controlado por Israel na fronteira israelense-egípcia, no setor que separa o lado egípcio do lado palestino da cidade de Rafah.
A escavação deste fosso pode ser totalmente financiada pela extração de enormes quantidades de areia do lugar, segundo o Haaretz.


