Frei diz que general
será julgado no Chile
O presidente chileno Eduardo Frei anunciou ontem que Augusto Pinochet vai enfrentar a ação dos tribunais se regressar ao Chile, liberado pelas autoridades britânicas. Em sua primeira reação à decisão da Inglaterra, Frei afirmou que ‘‘são os tribunais de justiça de nosso país que devem se pronunciar a respeito do caso’’.
Pinochet enfrenta no Chile 55 denúncias que o responsabilizam por assassinatos, torturas e o desaparecimento de 1.198 opositores à ditadura que chefiou entre 1973 e 1990. ‘‘Os juízes têm a independência e a faculdade para levar adiante sua tarefa’’, assinalou Frei.
Um grupo de refugiados chilenos em Londres demonstrou cólera e indignação ontem com a possibilidade de libertação de Pinochet, baseada num laudo médico secreto. E exigiram a publicação desse relatório. As organizações de parentes dos desaparecidos políticos mobilizaram 20 militantes na entrada da Câmara dos Comuns, e proferiram palavras de ordem: ‘‘não deixem que o assassino vá embora!’’ e ‘‘exigimos justiça!’’.
Para Jimmy Bell, do Comitê contra a impunidade, só problemas mentais poderiam impedir o ex-ditador de enfrentar um julgamento. ‘‘Se está verdadeiramente enfermo, por que escondem o laudo?’’ Ao governo britânico, que defende o direito à privacidade de Pinochet para não tornar público o documento, Bell respondeu com veemência: ‘‘o que foi feito da privacidade dos desaparecidos, de sua saúde, de sua vida?’’
A litania dos males dos quais Pinochet sofreria não comoveu os opositores. ‘‘Nós, os refugiados, dissemos a Straw: não permita a fuga do assassino. Muitos estão em cadeiras de rodas’’, disse Ana María Pelusa. ‘‘Vou explicar para vocês: a doença dele não passa de uma alergia à justiça’’, disse outra.
O porta-voz da organização Chile Democrático, Carlos Reyes, confirmou que os grupos de exilados ‘‘contestarão a decisão de Straw por todos os meios possíveis, assim como sua intenção de manter o laudo em segredo’’.(Ansa e AFP)

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