Fraude é ameaça às eleições no México
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sexta-feira, 30 de junho de 2000
France Presse Da Cidade do México 
O México terá amanhã eleições históricas que podem servir para revalidar o partido mais antigo no poder no mundo ou para concretizar a primeira transferência pacífica de governo em sua história.
O eleitorado está dividido em partes iguais entre o situacionista e experiente burocrata Francisco Labastida e o populista, verborrágico e conservador Vicente Fox.
A paridade entre o ex-secretário (ministro) do Interior Labastida (57 anos) e o ex-gerente da Coca-Cola Fox (que completa 58 anos amanhã) também reativou os temores de fraude ou coação do voto neste país de 97 milhões de habitantes.
O governante Partido Revolucionário Institucional (PRI, 71 anos no poder) foi criado pelos sobreviventes da Revolução Camponesa iniciada em 1910 e se manteve ininterruptamente no poder com uma mistura de autoritarismo, coação, fraude e votos de simpatizantes.
Desde as arcaicas e folclóricas urnas grávidas ou dos mortos que votam, até as tecnológicas quedas do sistema de contagem em noite de eleições, o México tem uma rica e pouco animadora história neste sentido.
Mas para estas eleições, o PRI não somente escolheu pela primeira vez de forma democrática seus candidatos, como criou condições de transparência que, embora consideradas ainda insuficientes pela oposição e observadores, são inéditas.
O presidente do Instituto Federal Eleitoral (independente do governo), José Woldenberg, jura que será impossível manipular os resultados.
Há sinais graves de que o processo eleitoral, embora em alguns aspectos possa ser legal, é ilegítimo e imoral pelas condições em que está se desenvolvendo, assinalou um documento divulgado pela Comissão Episcopal de Pastoral Social (CEPS).
Uma fraude em grande escala é impossível. Entretanto, é possível que uma fraude relativamente menor, de 1% a 2%, afete o resultado, advertiu o norte-americano Centro Carter, cujo líder, o ex-presidente Jimmy Carter, chegou ontem ao México como observador.
Entidades civis, a imprensa e os candidatos denunciam tentativas de coação, que encontram campo fértil em um país com 40 milhões de pobres, 10% de analfabetos, 10 milhões de indígenas marginalizados, 2 milhões de funcionários públicos e milhões que recebem planos assistenciais oficiais.
Um contraste entre uma sociedade pobre e uma economia rica, com um Produto Interno Bruto superior a US$ 450 bilhões, comércio exterior de US$ 260 bilhões por ano, inflação de 10% e tratados de livre comércio com Estados Unidos, Canadá e União Européia.
Labastida encerrou sua campanha prometendo que acabou a fase de sacrifício, do aperto do cinto. Virão anos de elevação dos níveis de vida.
Fox, do Partido Ação Nacional (PAN), prometeu um novo milagre econômico com crescimento de 7%, inflação de 2% e criação de 1,3 milhão de empregos anuais e investigar as ligações do narcotráfico com as altas esferas do Governo.
O centro-esquerdista Cuauhtémoc Cárdenas (muito longe de Fox e Labastida), fechou sua campanha nas áreas indígenas, pedindo nenhum voto para o PRI e nenhum voto para o PAN.


