São Paulo - Federico Franco, presidente do Paraguai, disse ontem que planeja realizar um referendo nas eleições de abril de 2013 sobre a continuidade do país no Mercosul.
''Podemos fazer um referendo e perguntar às pessoas, nas eleições de abril do ano que vem, o que elas querem. A pergunta seria: Pode o governo de um ano tomar uma decisão tão drástica como a de retirar o Paraguai do Mercosul ou é melhor aguentar e esperar as condições necessárias para que o próximo governo decida?'', questionou Franco. ''Não vou tomar nenhuma decisão que possa ser prejudicial ao país e que agrade uma ou duas pessoas. Minha decisão sempre será tomada para o benefício dos habitantes do Paraguai.''
O Paraguai foi suspenso recentemente do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) após o impeachment de Fernando Lugo da Presidência, em junho. As duas organizações consideraram que o processo que levou à destituição do ex-presidente não permitiu sua ampla defesa.
Nos últimos dias, Franco tem dado declarações polêmicas sobre o país. No dia 8 de agosto, disse que pretendia rever o acordo energético feito com o Brasil em relação à usina de Itaipu. Para ele, o Paraguai estava ''cedendo'' e não ''vendendo'' energia ao Brasil, algo que colocava em risco a soberania do país.
O mandatário anunciou ainda que enviaria, até dezembro, um projeto de lei ao Congresso para que o próximo governo não vendesse mais sua energia excedente para países vizinhos. Pelo acordo, o Brasil tem a preferência na compra da energia excedente - o Paraguai consome apenas 5% do que lhe corresponde na geração de Itaipu. A usina é responsável por 20% da energia consumida no Brasil.
O porta-voz da Chancelaria brasileira, Tovar Nunes, respondeu à declaração dizendo que a distribuição energética de Itaipu está sujeita a um acordo binacional. ''A energia que o Paraguai não consome passa para o Brasil, mas com um pagamento, não existe cessão de energia'', disse.

mockup