Assunção - O presidente recém-empossado do Paraguai, Federico Franco, quer evitar o desconforto com os países vizinhos, principalmente o Brasil e o Uruguai. Determinado a desfazer o mal-estar causado pela destituição do então presidente Fernando Lugo, Franco pretende procurar nos próximos dias a presidente Dilma Rousseff e o presidente do Uruguai, José Pepe Mujica. Um dos receios de Franco é o eventual rompimento da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) com o Paraguai.
Franco também se preocupa com a questão energética, uma vez que a Usina Itaipu Binacional é fundamental para o abastecimento de energia para o Paraguai e a economia do país. Segundo assessores, o ministro das Relações Exteriores, José Félix Fernández, vai procurar o chanceler brasileiro, Antonio Patriota.
O primeiro grande encontro internacional ao qual o novo governo deverá comparecer é a cúpula que o Mercosul, bloco integrado por Paraguai, Uruguai, Brasil e Argentina, realizará na cidade argentina de Mendoza na quinta e sexta-feira.
Na sexta-feira, no final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, Dilma disse que acompanha de perto e com atenção as mudanças no Paraguai. Porém, vários ministros manifestaram dúvidas sobre o processo de impeachment movido contra Lugo pela rapidez e a forma como ocorreu. Em apenas 24 horas, ele foi destituído do poder.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que a impressão inicial que o governo brasileiro tinha era que havia ocorrido um golpe de Estado no Paraguai, pois o processo ''foge do senso de procedimento geral de Justiça''. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ter ficado impressionado com a rapidez do processo envolvendo Lugo. Segundo ele, foi um ''processo incompatível com as regras do contraditório e da ampla defesa''.
Durante cerimônia de posse no Congresso Nacional, na noite de sexta-feira, Franco disse que a mudança no poder é legítima. Ele pediu ainda apoio de todos os setores da sociedade, partidos políticos e movimentos sociais a seu governo. ''A única maneira de levar adiante o desenvolvimento do paraguaio é com a união de todos os setores, partidos políticos e movimentos sociais''.
Franco, 49 anos, foi governador do Departamento Central, de 2003 a 2008. No final de 2007, se afastou do cargo para concorrer às eleições na chapa junto com Lugo, eleita em abril de 2008. Ele integra o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), uma doas maiores legendas do Paraguaio. (Com France Presse)

mockup