Imagem ilustrativa da imagem Francisco, o papa que promove reformas, celebra 80 anos
| Foto: Andreas Solaro/AFP
Uma das missões do papa argentino é continuar a reestruturação econômica da Santa Sé iniciada por Bento XVI


Roma, Itália - O papa Francisco assopra neste sábado (17) 80 velinhas, um momento simbólico de um pontificado que promove reformas e que seduz o grande público, mas desperta críticas da ala conservadora da Igreja. Oitenta anos é a idade da semiaposentadoria para os cardeais, que perdem o direito de eleger um papa em um conclave quando completam oito décadas de vida. Mas o primeiro papa latino-americano, alérgico a férias, não pretende fazer figuração. A agenda dele está cheia de cerimônias religiosas, audiências e encontros públicos.

Mais caseiro, o papa fez 17 viagens ao exterior em quase quatro anos e planeja para 2017 uma peregrinação a Fátima (Portugal), uma viagem para a Índia e Bangladesh, e talvez outra na África. Com dores no quadril que, por vezes, o faz perder o equilíbrio, ele não fala de renúncia, como fez seu predecessor Bento XVI, de 89 anos.

Jorge Bergoglio, nascido em Buenos Aires em uma família modesta, foi eleito o 266º papa em 13 de março de 2013. Ele viveu a maior parte de sua vida na metrópole argentina, onde andava pelas favelas e convivia com a violência. E seu estilo sorridente desaparece subitamente quando se depara com uma sociedade impermeável aos imigrantes ou uma economia que massacra os mais pobres.

O incansável papa Francisco parece impulsionado por uma missão urgente: incentivar uma Igreja desertada em alguns países a acompanhar com misericórdia os católicos em situações irregulares. "Podemos falar de uma revolução, nos passos do Concílio Vaticano II" (1962-1965), que abriu a Igreja ao mundo moderno, indica à AFP o especialista em Vaticano Marco Politi. "É um grande reformador que tenta fazer com que a Igreja abandone a sua obsessão histórica em tabus sexuais", resume. Ele é o primeiro papa a ter convidado um transexual ao Vaticano, e se recusa a julgar os homossexuais. "Para ele, a Igreja é um 'hospital de campanha', não um posto alfandegário", que separa os bons e maus cristãos, observa Politi.

O argentino foi eleito para continuar a reestruturação econômica da Santa Sé iniciada por Bento XVI com, por exemplo, o fechamento de contas suspeitas no banco do Vaticano, por muito tempo acusado de lavagem de dinheiro.

Também é rodeado por oito cardeais para ajudar na reforma cheia de obstáculos da Cúria (o governo do Vaticano). "Em termos de doutrina, não mudou nada. Neste sentido, nunca fez parte dos progressistas", afirma Marco Politi. Assim, o papa não tem a intenção de ordenar padres casados ou mulheres e continua horrorizado com o aborto.

Francisco gostaria que seu trabalho reformista tivesse "uma continuidade", ressalta este conhecedor do Vaticano em sua obra "Francisco entre os lobos". Mas seus críticos conservadores não param de olhar seus relógios. Último episódio de um pequeno atrito: uma carta de quatro cardeais expressando "dúvidas" sobre um texto publicado em abril, em que Francisco, sem questionar o dogma do casamento indissolúvel, abre o acesso à comunhão para divorciados que voltaram a se casar civilmente. "O papa semeou muita confusão dentro da Igreja", afirma à AFP Marco Tosatti, um vaticanista considerado conservador. "Ele transmite uma imagem popular, divertida e alegre para a Igreja", reconhece. "Mas as vendas de verão não atraem novos clientes! As igrejas protestantes clássicas são abertas para o mundo, elas acolhem mais pessoas."

Face aos reformadores muito discretos, os ultraconservadores tentam desacreditar o papa, avança o especialista. "O objetivo não é um golpe de Estado, mas hipotecar a propriedade. É como o Tea Party, que levou anos para sabotar a autoridade de Barack Obama e que teve um efeito sobre a eleição de Donald Trump", compara.

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