Francisco fala em 'pontificado breve'
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sexta-feira, 13 de março de 2015
France Presse 
Cidade do Vaticano - O papa Francisco confessou que tem a sensação de que seu pontificado será breve, quatro ou cinco anos, e que não se sente sozinho e sem apoio para governar a Igreja.
Em uma longa entrevista exclusiva com a correspondente da televisão mexicana Televisa, Valentina Alazraki, por ocasião de seu segundo ano de pontificado, o Santo Padre falou sobre sua eleição, dos escândalos, de seus limites como pessoa, de sua visão do papado, do México, da imigração e até brincou sobre o "ego" enorme dos argentinos.
"Tenho a sensação de que meu pontificado será breve. Quatro ou cinco anos. Não sei, ou dois, ou três. Pelo menos dois já passaram. É como uma sensação vaga. É como a psicologia de quem joga e acredita que vai perder para não se desiludir (
). Tenho a sensação de que o Senhor me colocou aqui para uma missão breve", confessou.
Francisco, de 78 anos, descarta um limite de idade ao pontificado já que considera que "o papado tem algo de última instância", e que não deve ter um término fixado. Questionado sobre se gosta de ser papa, Francisco respondeu com resignação: "Não desgosto!".
Francisco também surpreendeu com uma brincadeira sobre o ego dos argentinos ("Você sabe como um argentino se suicida? Ele sobe em cima de seu ego e se joga lá de cima") e confessou que não gosta muito de viajar, que é muito apegado a seus hábitos e voltou a criticar a Cúria Romana, a poderosa máquina central da Igreja, alvo há anos de intrigas e escândalos financeiros. "Esta é a última corte que resta na Europa. As demais cortes se democratizaram, incluindo as mais clássicas", assegurou ao reiterar que se propõe a "mudá-la".
O papa afirmou que "não se sente sozinho" e aproveitou para acabar com a polêmica com o governo do México provocada por um email privado a um amigo onde pedia que evitasse a mexicanização da Argentina à respeito da violência do narcotráfico. "Evidentemente que é uma expressão. Não tem nada a ver com a dignidade do México. Como quando falamos da balcanização, nem sérvios, nem macedônios, nem croatas se sentem ofendidos", explicou.


