Franceses rejeitam a Constituição Européia
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domingo, 29 de maio de 2005
France Presse 
Paris - O 'não' no referendo sobre a Constituição Européia tinha alcançado ontem à noite 55,96% contra 44,04% dos votos a favor, segundo os resultados parciais e contabilizados de 85% dos eleitores, anunciou o Ministério do Interior. De acordo com estes resultados, de 35.612.313 inscritos, o 'não' obteve 13.556.689 votos contra 10.668.979 do 'sim'. A abstenção foi de 30,14%.
A França se converte assim no primeiro país europeu a rejeitar a Carta Magna continental, que teoricamente deve ser ratificada pelos 25 países membros do bloco para entrar em vigor.
Os olhos de toda a Europa estavam fixos no referendo da França, país fundador e um dos motores do bloco, cuja decisão põe na corda bamba o projeto de integração de todo o continente.
''O 'não' francês ao tratado constitucional é uma derrota para a França, uma derrota para a Europa'', declarou na noite de domingo o ministro francês da Defesa, Michèle Alliot-Marie.
O presidente Jacques Chirac declarou que o 'não' francês à Constituição Européia cria um contexto difícil para a defesa dos interesses do país dentro do continente.
''A decisão da França cria inevitavelmente um contexto difícil para a defesa de nossos interesses na Europa'', declarou o presidente em um breve discurso pronunciado minutos depois do fechamento dos colégios eleitorais.
Chirac anunciou ainda que divulgará nos próximos dias suas decisões sobre as possíveis mudanças no Governo, no momento em que o primeiro-ministro Jean Pierre Raffarin bate recordes de impopularidade.
''Nossas ambições seguem ligadas à Europa'', reiterou o presidente, que apelou à unidade dos franceses neste momento de dificuldades e garantiu que seu país seguirá mantendo toda a sua presença na Europa apesar do resultado.
O presidente da União por um Movimento Popular (UMP, direita no poder), Nicolas Sarkozy, pediu transformações profundas, rápidas e enérgicas após a contundente vitória do 'não' no referendo sobre a Constituição Européia.
''Ao dizer não, os franceses nos pedem transformações profundas, rápidas e vigorosas. Eles nos pedem para acabar com nosso imobilismo e fazer o país avançar'', destacou. ''Abre-se um período difícil'', acrescentou Sarkozy, lembrando que estas transformações internas exigiam sangue frio e energia, além da unidade da UMP e seu apoio ao presidente da República''.
Pouco antes desta declaração, o líder de extrema-direita francesa Jean Marie Le Pen pediu a renúncia do presidente Jacques Chirac, após a divulgação dos resultados de boca-de-urna que apontavam para a vitória do 'não' por 55% aproximadamente. Le Pen ainda previu uma crise política interna e européia sem precedentes.


