Paris - Os sindicatos franceses ameaçaram neste domingo fazer uma greve geral, depois de terem lançado um apelo ‘‘solene’’ pela retirada do contrato de primeiro emprego (CPE), que o primeiro-ministro Dominique de Villepin insiste em manter, apesar dos protestos de milhares de pessoas.
  Entre 530.000 e 1,5 milhão de pessoas, segundo a polícia e organizadores, foram às ruas sábado para manifestar contra o CPE, que segundo eles representa um convite à precariedade do trabalho. Criado para reduzir o desemprego entre os jovens, o contrato permite a pequenas empresas demitir durante dois anos sem justificativa. A mobilização de ontem ultrapassou as dos dois primeiros dias: 7 de fevereiro e 7 de março. Unidos e satisfeitos, sindicatos, estudantes e familiares esperam ainda que o premier retire o CPE, como desejam dois terços dos franceses.
  Vários sindicatos já consideram ter lançado um ultimato e pretendem agora, assim como o CGT, fazer uma greve geral para convencer o Executivo a mudar de idéia. Os sindicalistas marcaram reunião hoje para discutir o assunto. A organização de estudantes Fidl já prevê um dia de ação para quinta-feira.
  A tensão aumenta após dois meses de contestação: 71% dos franceses falam em uma ‘‘crise social profunda que pode se intensificar nas próximas semanas’’, 80% dos entrevistados com idades entre 15 e 24 anos são contra o CPE segundo uma outra pesquisa (LH2) que será divulgada nesta segunda-feira. Dois terços das 84 universidades do país continuam fechadas, como a prestigiosa Sorbonne em Paris.

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