Paris- Mais de 2.000 médicos e enfermeiras franceses afirmam ter ajudado alguns pacientes a morrer com dignidade, afirma um documento a favor de uma lei mais justa da eutanásia que foi divulgado nesta quinta-feira em duas publicações deste país. O texto foi publicado a poucos dias do início do julgamento de um médico e uma enfermeira que ajudaram, em 2003, uma paciente com câncer terminal a acabar com sua vida.
''Porque a enfermidade era mais forte que nossos medicamentos, porque apesar dos tratamentos adaptados, o sofrimento físico e psicológico tornava a vida do paciente insuportável e porque o enfermo queria colocar um ponto final, nós, profissionais da saúde, temos ajudado, conscientemente e de forma médica, estes pacientes a morrer com dignidade'', afirma literalmente o manifesto publicado na revista Le Nouvel Observateur e no jornal SudOuest.
''A maioria dos profissionais que assistem regularmente seus pacientes até a morte utilizam nas circunstâncias descritas substâncias químicas que precipitam um final que estava sendo muito cruel, mesmo sabendo que seu comportamento está fora da atual lei'', acrescenta o texto.
Desde 2005, a França tem uma lei que institui um direito a ''deixar morrer'', ou seja, que um paciente recuse o tratamento, incluindo a alimentação, e que as pessoas que o assistem administrem medicamentos contra a dor mesmo se estes acelerarem o falecimento.
No entanto, não autoriza que uma pessoa seja ajudada por outra a acabar com a própria vida. Se alguém atender aos pedidos do enfermo e provocar de alguma maneira a morte do mesmo, pode ser condenado à prisão.
Os signatários do manifesto pedem ''a suspensão imediata das sanções judiciais'' contra os profissionais da saúde nestes casos e ''uma revisão da lei'' o mais rápido possível.
Segundo os profissionais do setor, os recentes indiciamentos de médicos e enfermeiras que ajudaram seus pacientes a morrer mostra que a lei ''é repressiva e injusta e está em total dissonância com a realidade médica''.
Uma pesquisa realizada há alguns meses mostrou que 90% dos franceses são favoráveis a uma legislação da eutanásia em alguns casos, como por exemplo a fase terminal de uma doença incurável ou um estado de dependência incompatível com a dignidade humana.
Na Europa, apenas Holanda e Bélgica autorizam, com condições, a eutanásia.

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