França vota para a esquerda no 1º turno
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
France Presse, de Paris 
A esquerda francesa liderava na noite de ontem os resultados do primeiro turno das eleições legislativas, mas o suspense era total sobre a cor da maioria da nova Assembléia Nacional após o segundo turno das eleições, previsto para o próximo domingo. A esquerda francesa deve obter 40,8% dos votos, a direita 36% e a Frente Nacional (extrema direita) 15,3%, segundo projeção CSA/France 3/Rádio France.
A taxa de abstenção situava-se em 31,5%. Entre a esquerda, o Partido Socialista (PS) deve obter entre 250 e 275 cadeiras e o Partido Comunista Francês (PCF) entre 19 e 23 bancas, ao final do segundo turno, que elegerá os deputados da Assembléia Nacional. A direita deve obter entre 265 e 285 cadeiras e a Frente Nacional, de Jean Marie Le Pen, poderá ganhar até duas cadeiras.
A aposta do presidente francês, Jacques Chirac, que em 21 de abril passado anunciou a dissolução da Assembléia Nacional e convocou eleições dez meses antes do fim da legislatura, parece fracassar. Este revés poderia debilitar o seu primeiro-ministro, Alain Juppé, um dos partidários mais firmes da dissolução.
Pela segunda vez em dois anos, os resultados de ontem representaram o fracasso dos institutos de pesquisas, que não anteciparam o importante avanço da esquerda neste primeiro turno. Após o fechamentos das urnas, os institutos de pesquisas concordavam com uma vantagem de entre 3,5 e 5,5 pontos para os partidos de esquerda, desmentindo suas próprias previsões de equilíbrio entre esquerda e direita.
Após estes resultados, Juppé não ficará em boa posição para liderar a campanha até o próximo domingo, pois corre o risco de ser responsabilizado pelos maus resultados da direita no próximo turno. Não obstante, o primeiro-ministro defendeu ontem a mobilização da maioria para ganhar o segundo turno em torno de uma verdadeira mudança, com idéias novas e modernas.
Assim que foram divulgados os primeiros resultados figuras da maioria parlamentar reconheceram que tratava-se de uma advertência do eleitorado. Recebemos uma advertência muito clara, mas nada está perdido. É preciso que todos que se reconheçam na maioria se mobilizem, disse o ex-premier Edouard Balladur (da atual maioria de direita).
Apenas um deputado da direita, o ex-ministro Pierre Mehaigneirie, já havia assegurado a eleição ontem, horas após o início da contagem dos votos. Todos os ministros em exercício candidatos estavam ficando para o segundo turno, segundo as projeções.
Para se ter uma idéia do que isto representa, nas eleições de 1993 - quando a direita venceu amplamente - 80 deputados de direita foram eleitos no primeiro turno.
A esquerda, ainda sem cantar vitória, comemorou a rejeição do eleitorado a maioria presidencial. O chefe da oposição socialista, Lionel Jospin, comemorou as previsões e conclamou a união das forças de esquerda com os ecologistas para o segundo turno em torno de um pacto para a mudança. A Frente Nacional, de Jean Marie Le Pen, que obterá cerca de 15% dos votos, deverá desempenhar um papel importante no segundo turno, pois será o árbitro em centenas de distritos. Le Pen pediu a renuncia do presidente. Chirac foi derrotado. Deve sair.


