Paris - O governo francês recomendou ontem a retirada ''de forma preventiva'' das próteses mamárias da marca PIP de cerca de 30 mil mulheres na França, embora tenha esclarecido que não há provas de que estes implantes - que foram exportados a diversos países da Europa e da América Latina, inclusive ao Brasil - aumentem os riscos de câncer.
''Por prevenção e sem caráter de urgência, (as autoridades francesas) desejam que a retirada das próteses, mesmo sem evidências clínicas de deterioração do implante, seja oferecida às mulheres'', anunciou o ministério da Saúde em um comunicado.
Os especialistas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) informaram suas conclusões na quinta-feira ao governo francês. ''Até este momento, não constatamos um risco maior de câncer em mulheres com próteses da marca PIP comparado com outras próteses'', disseram. Um total de oito casos de câncer foram relatados na França em mulheres que tiveram problemas com implantes PIP, mas nenhuma ligação de causalidade foi estabelecida.
Cerca de 30.000 mulheres na França implantaram próteses mamárias da marca PIP. Algumas delas foram preenchidas com um gel de silicone impróprio para o uso medicinal. As autoridades sanitárias apontam ''riscos claros'' de ''ruptura'' e ''do poder irritante do gel de silicone, que pode causar reações inflamatórias''. Os custos relativos à eventual retirada destes implantes serão pagos pelo Estado, assegurou o governo.
As próteses mamárias da empresa francesa Poly Implant Prothèse (PIP) estão no centro de um escândalo há algumas semanas, e na Grã-Bretanha 250 mulheres entraram com um processo depois que ao menos a metade delas teve problemas com as próteses de mama fabricadas pela PIP.
Antes da falência da empresa, em março de 2010, as exportações da PIP representavam 84% da sua atividade. Eram produzidos cerca de 100 mil implantes anualmente. Entre os principais mercados está a América do Sul (Venezuela, Brasil, Colômbia e Argentina, principalmente), que comprava mais de 58% do que era exportado em 2007 e 50% em 2009. No entanto, em abril de 2010, com o alerta das autoridades francesas em relação a um processo de fabricação impróprio, o Chile, a Venezuela e o Brasil ordenaram a retirada dos implantes de PIP de seus mercados.

No Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou ontem recomendações para as 25 mil pessoas no Brasil que têm os implantes de silicone da PIP e para os cirurgiões plásticos. O órgão afirma, por meio de nota, que as mulheres devem procurar seus médicos para realizar exames e fazer uma avaliação clínica. Os médicos também devem entrar em contato com as pacientes para definir a melhor conduta.
Os serviços de saúde devem notificar a Anvisa sobre casos de problemas ou retirada de implantes feitos pela empresa. A notificação deve ser feita pelo Notivisa, com acesso pelo Portal da Anvisa (www.anvisa.gov.br).
Segundo Sebastião Guerra, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as próteses de silicone têm um termo de garantia de dez anos. Esse documento traz informações sobre a marca e o número de identificação da próteses. O termo pode ser entregue ao paciente ou mantido pelo cirurgião junto com a ficha médica de quem foi operado. ''Se a pessoa estiver em dúvida, ela pode consultar esse documento ou o cirurgião para saber essa informação'', disse.

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