Paris - A polícia francesa anunciou o resgate do primeiro corpo içado dos destroços do avião da Air France que caiu no Atlântico em 2009.

"Submerso durante quase dois anos a uma profundidade de 3,9 mil metros, o corpo, ainda preso ao assento do avião, está deteriorado", diz um comunicado da Direção Geral da Polícia Militar francesa (DGGN, na sigla em francês).

As autoridades militares, que realizam as tentativas de resgate dos corpos do avião da Air France, informaram que "coletas foram efetuadas pelos investigadores da polícia a bordo e serão encaminhadas na próxima semana, juntamente com as caixas-pretas do avião, a um laboratório de análises a fim de determinar a possibilidade de uma identificação por meio do DNA".

O comunicado afirma ainda que a tentativa de resgate dos corpos está sendo efetuada em condições "particularmente complexas e inéditas". Segundo os especialistas, os corpos podem não resistir às mudanças de temperatura da água durante o içamento.

Além disso, a fortíssima pressão da água a quase 4 km de profundidade mantém a estrutura corporal coesa na água. A diminuição da pressão, quando o corpo é içado, pode causar o deslocamento dos ossos

Famílias
O resgate dos corpos divide os familiares das vítimas. Alguns preferem que os restos mortais de seus parentes sejam deixados no local do acidente e consideram que o resgate seria "uma violação de suas sepulturas".

Oito membros da polícia militar francesa estão a bordo do navio Ile de Sein, entre militares da polícia dos transportes aéreos, marítima e do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar, especializado na identificação de vítimas de catástrofes.

O resgate de corpos está sob a responsabilidade da Justiça francesa e foi iniciado ontem (4). O acidente com o avião da Air France, que fazia a rota Rio e Paris, matou 228 pessoas. Apenas 50 corpos foram encontrados logo após o desastre, sendo 20 deles de brasileiros.

Da BBC-Brasil.

mockup